Agência de risco impressiona-se com contas externas do País

O diretor executivo da Fitch Rating, Rafael Guedes, está "impressionado" com a vitalidade das contas externas brasileiras, especialmente o aumento das exportações e a redução da dívida externa. "É o terceiro ano consecutivo de melhoria expressiva nas contas externas brasileiras", disse Guedes em entrevista à Agência Estado, observando que a relação entre a dívida externa e as exportações caíram para menos da metade do final de 2002 para junho deste ano. Ele foi evasivo, porém, quanto à possibilidade de a agência fazer algum movimento de melhora do rating (classificação) para os títulos brasileiros a curto prazo. "Isso depende de vários fatores que precisam ser analisados", justificou. Pelos dados do Banco Central, no final de 2002, a dívida externa líquida do País somava US$ 165 bilhões para receitas de exportações de mercadorias e serviços de US$ 69,91 bilhões, o que dava uma razão de 2,4 vezes entre os dois indicadores. Em junho, as exportações brasileiras de mercadorias e serviços acumuladas em 12 meses subiu para US$ 121 bilhões, enquanto a dívida externa líquida caiu para US$ 121,223 bilhões, fazendo com a relação entre os dois indicadores caísse para apenas 1 vez. Isso significa que, teoricamente, o Brasil poderia "zerar" toda a dívida líquida com as exportações de apenas um ano, quando no último ano do governo passado seriam necessários quase três anos. Pontos negativos A melhoria substancial nas contas externas, porém, pode não ser suficiente para que o País tenha um up grade na sua classificação de risco por parte da Fitch. Guedes observou que o endividamento interno e o quadro político ainda inspiram restrições por parte das agências classificadoras. "Há dúvidas se o quadro político poderia redundar em opções populistas para as contas públicas", ressalvou. Se o cenário político evoluir favoravelmente, porém, a situação será bem recebida pelos analistas das agências de classificação de risco, considerou. Outro ponto que o governo ainda terá de melhorar muito é o referente ao endividamento interno. O diretor da Fitch considera que o endividamento bruto do Tesouro, da ordem de 75% do Produto Interno Bruto, "é muito elevado" e "muito caro". A Fitch trabalha com o conceito de endividamento bruto e não com a dívida líquida sobre o PIB para poder comparar melhor com outros países.

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