Agência de risco prevê piora na relação dívida/PIB do Brasil

A agência de classificação de risco Standard & Poor´s acredita que a relação entre a dívida pública e o PIB do Brasil vai subir para 70% até o fim do ano, apesar da relativa estabilização dos mercados financeiros do País depois das eleições. A relação dívida/PIB subiu para 63,9% em setembro, de 58,1% em agosto e 53,3% no final de 2001.Durante conferência realizada em Nova York, a analista da S&P Lisa Schineller disse que a composição da dívida interna afeta negativamente a capacidade do governo de reduzir a dívida. Ela ressalvou que a dinâmica da divida externa do Brasil está sendo ajudada pelo declínio do déficit em conta corrente, que a S&P prevê que ficará em torno de US$ 11 bilhões neste ano, o equivalente a pouco menos de 2,5% do PIB.Schineller observou que o declínio do déficit em conta corrente resultou, em parte, do crescimento do superávit comercial. Ela advertiu que a melhora do saldo em conta corrente ocorreu em meio a condições adversas, que incluíram a depreciação forte do real. "Não é certo que ele possa se manter uma vez que o crescimento da economia comece a se acelerar", afirmou.A analista também disse que a classificação da dívida do Brasil, atualmente em B+ com perspectiva negativa, poderá ser pressionada para baixo se o novo governo falhar no compromisso com a agenda de reformas e se houver uma desconfiança generalizada no setor privado. Ela ressalvou que as notas do Brasil poderão se estabilizar, caso haja apoio amplo para uma reforma fiscal.

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