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Agência de risco reafirma rating do Brasil em BB e mantém perspectiva negativa

Segundo a Fitch, a perspectiva negativa reflete grandes desequilíbrios fiscais e a dinâmica adversa da dívida do governo

Gabriel Bueno da Costa, Broadcast

11 Novembro 2016 | 15h27

SÃO PAULO - A agência de classificação de risco Fitch reafirmou o rating de longo prazo em moeda estrangeira e local do Brasil em BB, com perspectiva negativa. Segundo a agência, a perspectiva negativa reflete grandes desequilíbrios fiscais e a dinâmica adversa da dívida do governo, bem como a incerteza quanto à implementação de reformas fiscais que buscam melhorar a estabilização da dívida.

"Apesar da recente diminuição da incerteza política, revezes na agenda fiscal do Executivo no Congresso não podem ser descartados, o que por sua vez poderia prejudicar a confiança e aumentar os riscos de baixa em nossos cenários-base econômico e fiscal", afirma. A Fitch diz que os desafios fiscais persistem no Brasil, com o governo adotando um gradual processo de consolidação fiscal, tendo como meta um déficit primário no setor público de cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017 e a volta ao superávit apenas em 2019.

Segundo a Fitch, suas projeções de balanços primários estão em linha com as de autoridades. A agência projeta que os déficits do governo geral fiquem em média em 8% do PIB em 2017-2018. A Fitch diz que o peso da dívida geral do governo deve continuar a aumentar entre 2016 e 2018 "e para além disso a menos que o crescimento econômico retorne mais fortemente e/ou maiores superávits fiscais sejam alcançados". A Fitch projeta que a dívida geral do governo aumente de 66,5% do PIB em 2015 para 80% do PIB em 2018. Recuperação econômica mais lenta, maiores desafios em finanças subnacionais e a dificuldade de aprovar ou diluir as medidas fiscais pretendidas no Congresso poderiam atrapalhar o processo de consolidação fiscal e afetar negativamente a dinâmica da dívida, na avaliação da Fitch.

A agência diz que o rating do Brasil é apoiado por sua diversidade econômica e renda per capital relativamente alta, além do câmbio flexível e de reservas internacionais robustas. Por outro lado, ela aponta também fraquezas nas finanças públicas, alto endividamento do governo e fraca perspectiva de crescimento. Alguns desses desafios foram exacerbados pelas investigações de corrupção "em larga escala" no passado recente.

A agência espera que a economia brasileira sofra contração por um segundo ano em 2016. A Fitch prevê que o Brasil sofra contração de 3,3% neste ano, antes de uma modesta recuperação de 1,2% em 2017 e de 2,2% em 2018. A redução na incerteza política, a melhora no ambiente político em geral e a recuperação dos preços dos ativos do país, além da melhora da confiança das empresas e consumidores, apoiariam a recuperação. "O governo Temer está sinalizando uma abordagem mais favorável aos mercados nas políticas econômicas, como o fortalecimento da estrutura para envolver o setor privado no investimento de infraestrutura e a redução de uma intervenção estatal mais ampla", afirma a agência.

"Embora a perspectiva por reformas tenha melhorado, a extensão do progresso e a diluição dessas iniciativas ainda são incertas", disse a agência, que também avalia que a reforma na seguridade social pode trazer mais contenciosos. "A baixa popularidade do presidente, o crescente desemprego e os riscos para o ambiente político poderiam desafiar o progresso das reformas."

Do lado positivo, a Fitch diz que os desequilíbrios macroeconômicos do Brasil estão em rota de correção. A Fitch avalia que o déficit em conta corrente deve atingir 1% do PIB em 2016, abaixo do pico recente de 4,3% em 2014. Segundo a agência, a inflação atingiu um pico e tem trajetória de baixa e as expectativas de inflação se desenvolvem favoravelmente para 2017 e adiante, "convergindo para a meta de 4,5% para 2018".

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