Agência de risco rebaixa nota de empresas de energia

A "relevante deterioração" das condições do setor de energia levou a agência de avaliação de risco Atlantic Rating a rebaixar a classificação de oito empresas. A decisão leva em conta "um momento de maior risco e incerteza". Na análise da agência, o câmbio alto, demanda fraca e falta de visão clara sobre mudanças na regra do setor pelo governo enfraquecem a capacidade de pagamento das dívidas e aumenta o risco das empresas. "Não há certeza de que as regras de hoje valerão amanhã e isso aumenta o risco das companhias do setor", afirma o analista de empresas da agência, Ricardo Carvalho.Ele resume na expressão "risco regulatório" as indefinições sobre possíveis mudanças que poderão envolver questões contratuais, como eventual modificação no cronograma de reajuste das tarifas de energia, além da própria metodologia para novos aumentos.Este não é o único problema setorial. A agência analisa que a geração de caixa das companhias e se seus principais indicadores deverão ser prejudicados nos próximos meses, "num momento em que a maioria das empresas do setor necessita captar recursos de terceiros para fazer frente às suas obrigações financeiras de curto prazo e dar continuidade aos investimentos", diz o relatório.Isso porque, além dos problemas conjunturais, atrapalha o setor a perspectiva de agravamento do cenário econômico, interno e global, com a possibilidade de uma guerra dos EUA contra o Iraque, junto com restrições para obtenção de linhas externas, alta de juros e câmbio elevado. O dólar influencia diretamente o custo de capital e da operação destas empresas. "E este efeito é repassado apenas no aniversário da concessão", diz o analista.Do ponto de vista da demanda, o consumo não retornou aos níveis anteriores ao início do racionamento. "Ao contrário, a oferta em excesso acaba sendo vendida ao Mercado Atacadista de Energia (MAE) a valores muito baixos", diz Carvalho. Estes valores, conforme o relatório da agência, permitiriam cobrir apenas o custo da transmissão. A queda das vendas da energia em reais e o aumento da parcela dos custos em dólar geraram "efeito negativo relevante".A agência alterou a classificação de risco corporativo e de emissão de papéis da Cemig (de AA- para A), holding CPFL Energia (A+ para A-), distribuidora CPFL (A+ para A-), Copel (AA para A+), Eletrobrás (AAA para AA+), RGE (A para BBB+). E também alterou a nota de operações estruturadas da Proman (A+ para A) e Uhesc (A para A-).

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