Agência diz que produção petrolífera do País ´escorrega´

A Agência Internacional de Energia (AIE) disse nesta semana que as perspectivas de longo prazo para o crescimento da produção petrolífera do Brasil "podem estar escorregando" ante as notícias que sinalizam atrasos no início das operações nos campos de Jubarte e Roncador, previstas para o fim da década. Mas, em relação à produção do País neste ano, a agência manteve suas previsões praticamente inalteradas. Em seu relatório mensal divulgado na última sexta (19), a AIE calcula que a produção total de combustíveis líquidos no Brasil deverá atingir 2,3 milhões de barris por dia em 2007 ante os 2,1 milhões de 2006. Essa soma inclui 400 mil barris diários de etanol e gás natural liquefeito.Mas isso "desde que o impacto do atraso no início do projeto Piranema seja compensado pelo início antecipado em janeiro das operações de Espadarte". O consumo médio diário de petróleo no Brasil em 2007, segundo a AIE, deverá ser de 2,27 milhões de barris.Já a previsão para aumento do consumo mundial de petróleo em 2007 foi reduzida de 1,7% para 1,6%. Com isso, a demanda deverá crescer em 1,39 milhões de barris diários, somando 85,8 milhões de barris por dia. O aumento no consumo em 2006 também foi revisado para 0,9%, 120 mil barris diários menos do que a previsão anterior.Em seu relatório, a organização com sede em Paris salientou que os preços do petróleo atingiram seus níveis mais baixos dos últimos 20 meses no início de 2007. "A explicação para a recente queda nos preços parece simples: o clima (no Hemisfério Norte) tem sido quente, a demanda tem sido fraca e a oferta da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) tem ficado acima dos níveis sinalizados por seus cortes na produção anunciados no final do ano passado." Mas a agência ressaltou que os estoques de petróleo nos países consumidores têm declinado e isso, em algum ponto, poderá novamente pressionar os preços para cima.A produção mundial de petróleo cresceu em 110 mil barris diários em dezembro, atingindo a média de 85,4 milhões de barris diários, estimulada principalmente pelo aumento da oferta pelos países que não são membros da Opep. Entretanto, revisões na produção da Noruega, Canadá, México e outros países da América Latina fizeram com que a estimativa de oferta de petróleo nos países de fora da Opep fosse reduzida em 300 mil barris diários em 2007, somando 52,3 milhões de barris diários. Os estoques dos países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) caíram 33 milhões de barris em novembro, e dados preliminares sugerem que essa tendência continuou em dezembro. FundosSegundo a AIE, as vendas de contratos de petróleo feita pelos fundos de investimentos e uma mudança no humor do mercado também tiveram influência na queda dos preços do petróleo. "Muitos relatórios vêm apontando que gerentes de fundos passivos importantes têm reduzido sua exposição, talvez nas commodities em geral, mas certamente na energia e em alguns metais de base", diz o relatório."Como a maioria dos fundos passivos reajustam suas posições no início de cada ano, movimentos coincidentes nos preços não deveriam surpreender." Mas, segundo a AIE, a queda nos preços reflete principalmente os fundamentos do mercado do petróleo, não significando necessariamente uma mudança de sentimento em relação às commodities em geral.

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