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Agência do governo tinha diárias de US$ 700 e voo em classe executiva até para Buenos Aires

Novo presidente da ABDI diz que reduziu os gastos com pessoal de 60% para 43% do orçamento; 37 funcionários foram demitidos

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

20 Julho 2016 | 19h42

BRASÍLIA - Na Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), viagens ao exterior davam direito a diárias de US$ 700 ou € 700, independentemente do destino. Os funcionários também viajavam de classe executiva até para locais próximos, como Buenos Aires. Nessas viagens, algumas autoridades levavam até a secretária. 

A gastança, segundo o novo presidente da agência, Luiz Augusto de Souza Ferreira, ocorreu principalmente na gestão de Alessandro Teixeira, que esteve à frente da ABDI entre fevereiro de 2015 e abril de 2016, quando foi nomeado ministro do Turismo pela presidente afastada Dilma Rousseff e ficou conhecido nas redes sociais por ser casado com a miss bumbum Miami 2013, Milena Santos. A tia de Milena trabalhava na ABDI.

“Nem sei como gastavam isso tudo”, disse Ferreira ao Estado. Segundo ele, as diárias já foram cortadas pela metade e os voos em classe executiva, proibidos para deslocamentos com duração inferior a 12 horas sem interrupção.

Os gastos com pessoal da agência tomavam 60% do orçamento de R$ 92 milhões anuais. “Se fosse uma empresa privada, estaria quebrada”, comentou. Com a demissão de 37 funcionários, seis deles com os mais altos salários, de R$ 25 mil por mês, a despesa baixou para 43% do orçamento e a meta é chegar a 37% até o final de agosto. 

“Era um grau de aparelhamento muito grande”, disse o presidente, que contou já estar sofrendo oposição dentro da agência por causa dessas medidas. “Tinha gente do PT, do PMDB, mas 80% eram ligados ao Alessandro, da miss bumbum”, afirmou. Procurado, Teixeira não quis comentar.

Além de cortar despesas para, no seu entendimento, restaurar um padrão esperado pela sociedade na administração pública, Ferreira adotou como principal linha de seu trabalho a aproximação entre a indústria e as startups. A ideia é lançar um programa, ainda em agosto, para selecionar startups que tenham projetos úteis para a indústria. “Não são só boas ideias, são coisas que estejam funcionando”, frisou. 

A partir daí, quer fazer uma ponte com as empresas. “Hoje, elas não se falam: o pessoal das startups acha que a indústria é velha, os industriais acham que as startups só fazem jogos para videogame.” 

Para convencer as indústrias a adotar inovações, a ideia é bancar pilotos dentro das próprias empresas “para mostrar que funciona mesmo”. Os recursos para isso, explicou, podem vir de fundos. Ele pretende estruturar um fundo privado, inicialmente de R$ 150 milhões, para financiar essa aproximação entre a indústria e a ponta inovadora. 

Dentro do governo, a ABDI também vai defender que sejam suspensas as fiscalizações que o Ministério do Trabalho faz em indústrias com base na Norma Regulamentadora (NR)12, um conjunto de regras sobre segurança em operação de equipamentos duramente criticadas pela indústria. 

“A NR12 é idiossincrática, só tem no Brasil”, disse Ferreira. “Ela encarece o custo dos equipamentos em pelo menos 15%”, disse. O presidente da agência afirmou que “há boa vontade” por parte do Ministério do Trabalho em discutir a questão. “Não se pode precarizar as condições de trabalho, mas se o custo for muito elevado a indústria vai demitir.”

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