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Agência Fitch reitera nota do Brasil, com perspectiva estável

Entidade alertou, porém, que a economia do País desacelerou ‘notavelmente’ em 2011 

Gabriel Bueno, da Agência Estado,

25 de outubro de 2011 | 12h40

A agência de classificação Fitch reiterou nesta terça-feira, 25, o rating BBB do Brasil, com perspectiva estável. A agência afirmou que a nota do País tem o suporte de um sistema bancário saudável.

A Fitch afirma em comunicado que o rating brasileiro é apoiado por um forte colchão de liquidez externa, com reservas internacionais em US$ 350,6 bilhões. Ainda segundo a agência, o Brasil também é sustentado por seu status de credor externo líquido.

A agência advertiu, porém, que a economia do Brasil desacelerou "notavelmente" em 2011, graças ao aperto das políticas monetária e fiscal. Segundo a agência, o crescimento econômico do país no próximo ano também será afetado pela instabilidade externa. No médio prazo, a Fitch afirma que o Brasil tem perspectivas favoráveis de crescimento.

Taxa potencial

"Ainda que o Brasil deva crescer abaixo de sua taxa potencial em 2011 e 2012, suas métricas fiscais e de crédito externo não devem ser materialmente afetadas pela desaceleração econômica", afirmou Shelly Shetty, chefe de ratings soberanos para América Latina da Fitch.

A agência de classificação de risco destaca que o crescimento do crédito desacelerou, em resposta ao aperto monetário e a medidas macroprudenciais introduzidas pelo Banco Central. Por outro lado, as pressões inflacionárias seguem presentes, e o índice IPCA deve fechar 2011 perto do patamar superior a 2 pontos porcentuais acima do centro da meta de 4,5%. Apesar a inflação relativamente elevada e das expectativas desfavoráveis de inflação, o BC recentemente começou a reduzir a taxa básica de juros, para reduzir o impacto da crise financeira internacional no Brasil.

Na opinião da Fitch, ainda que o regime de metas de inflação permaneça intacto, a reversão da piora na dinâmica da inflação dará suporte à manutenção da estabilidade econômica e da credibilidade do regime monetário. A Fitch acredita atualmente que o BC tomará as medidas necessárias para evitar uma dinâmica instável da inflação.

Estímulo fiscal

A Fitch afirmou que o governo do Brasil deve atingir a meta de um superávit primário no setor público de 3,15% do PIB este ano, graças ao robusto crescimento das receitas e à contenção de despesas. Mas os desafios fiscais devem aumentar em 2012, em função da expansão econômica moderada e do forte aumento no salário mínimo.

"Além disso, um pacote de estímulo fiscal não pode ser descartado se a desaceleração econômica se intensificar", diz a agência no relatório divulgado hoje, quando reiterou o rating soberano do País em BBB, com perspectiva estável.

A Fitch prevê que o déficit em conta corrente do Brasil vai continuar administrável no período analisado. Os investimentos estrangeiros diretos no País têm crescido, enquanto os voláteis fluxos de portfólio têm diminuído nos últimos meses, diz a agência. Isso melhora a composição dos fluxos para financiamento do déficit.

A agência afirma ainda que, embora as políticas econômicas tenham sido mantidas pelo governo de Dilma Rousseff, as projeções para o curto prazo para reformas estruturais significativas para impulsionar as finanças públicas e/ou melhorar o ambiente empresarial são limitadas.

"Uma melhora sustentada nos balanços fiscal e externo do Brasil, novas melhoras nas dinâmicas do crescimento econômico e a continuação da consolidação da estabilidade macroeconômica forneceriam suporte positivo para o rating", diz a Fitch no relatório. Ainda de acordo com a agência, reformas econômicas que melhorem as projeções de investimentos do Brasil e a competitividade, além de abordar fraquezas estruturais das finanças públicas, seriam positivas para o rating do País.

Do outro lado, um aumento acentuado na dívida pública ou a cristalização de passivos inesperados do setor financeiro podem prejudicar a qualidade do crédito brasileiro, argumenta a Fitch. 

As informações são da Dow Jones.

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