Cleber Caetano/PR
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Agência francesa empresta R$ 900 milhões a bancos regionais no Brasil

Quantia será divida em duas parcelas e recursos serão destinados a Minas Gerais e Estados do extremo sul; ideia é que verba estimule os projetos sustentáveis no País

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2020 | 21h15

BRASÍLIA - O governo francês vai injetar cerca de R$ 900 milhões no Brasil por meio de bancos estatais para financiar ações de recuperação por causa da pandemia do novo coronavírus e projetos com foco em sustentabilidade ambiental. A Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) anunciou nesta segunda-feira, dia 10, a assinatura de dois contratos, com Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).

O empréstimo é uma frente de atuação diplomática francesa no Brasil e reforça parcerias diretas com Estados e municípios. A agência busca financiar uma carteira verde de projetos sustentáveis, um dos focos do governo Emmanuel Macron, pressionado força de ecologistas na política interna do país, e da embaixadora Brigitte Collet, especialista na área recém-enviada pelo presidente francês ao País, como mostrou o Estadão. Ela já disse que a AFD pretende ajudar a promover uma “transição ecológica e social” no Brasil.

No ano passado, os presidentes Macron e Jair Bolsonaro trocaram farpas publicamente, por meio da imprensa e das redes sociais, por divergências sobre as queimadas na Amazônia. Houve até ofensa de cunho pessoal. Autoridades diplomáticas das duas partes se esforçam agora para recuperar o diálogo. No mês passado, promoveram uma reunião bilateral de alto nível entre diplomatas do Itamaraty e do homólogo Quai D’Orsay. A chancelaria francesa também prometeu ajuda para o enfrentamento da pandemia, em reunião por videoconferência entre 18 países europeus e latino-americanos, da qual o Brasil participou.   

O contrato com o banco mineiro foi assinado nesta segunda-feira, dia 10. Serão 70 milhões de euros (R$ 450 milhões) disponibilizados a partir deste mês e ao longo de no máximo 12 anos, para linhas de crédito do BDMG destinados a empresas de todos os portes e prefeituras de cidades impactadas por inundações no verão deste ano. Prioritariamente, o BDMG vai alocar o recurso em empréstimos para mitigar o impacto negativo da covid-19 sobre a economia local, podendo financiar projetos sustentáveis depois.

Sustentabilidade

O outro contrato será assinado nesta terça-feira, dia 11, com a participação dos governadores do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL), e do vice-governador do Paraná, Darci Piana (PSD). A cerimônia virtual terá ainda o diretor da AFD para o Brasil e Argentina, Philippe Orliange, autoridades diplomáticas e executivos do BRDE.

Também avaliado em 70 milhões euros (R$ 450 milhões) e com o mesmo prazo para desembolso completo, a parceria é a segunda etapa de captação de dinheiro para financiar investimentos sustentáveis nos três Estados. Na primeira, há dois anos, foram 50 milhões de euros (R$ 321 milhões) destinadas a uma linha de crédito para energias limpas e renováveis, gestão de resíduos e reciclagem, uso racional e eficiente da água, agronegócio sustentável e cidades sustentáveis.

No mês passado, a agência francesa formalizou um empréstimo de 38,1 milhões de euros (R$ 245 milhões) à prefeitura de Curitiba (PR) para financiar parte do projeto de gestão de risco climático do Bairro Novo do Caximba, uma antiga ocupação irregular favelizada na margem de rio e onde um lixão foi desativado. 

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