Agência Moody´s rebaixa perspectiva do Brasil

A Moody´s Investor Service ? agência de avaliação de risco que orienta investidores internacionais ? rebaixou a perspectiva do rating soberano do Brasil (ou seja: a capacidade do país de pagar sua dívida externa). A perspectiva, que era ?estável?, foi rebaixada para ?negativo?. A agência explicou a decisão de rebaixar a recomendação citando o sentimento negativo dos investidores. A Moody´s também anunciou o rebaixamento de perspectiva para negativo dos ratings das cidades do Rio de Janeiro, de Curitiba e dos Estados da Bahia e do Ceará. "A mudança na perspectiva reflete o impacto real e potencialmente duradouro sobre a dinâmica da dívida do governo, que pode resultar da forte mudança negativa no sentimento do investidor que emergiu nas últimas semanas", afirma o comunicado da Moody´s. Segundo a agência de ratings, a confiança de investidores residentes e não-residentes mudou por causa de incertezas associadas ao resultado das eleições presidenciais de outubro. "Esta mudança no sentimento está ocorrendo, apesar da manutenção do governo atual de um mix de política macroeconômica saudável", afirma a Moody´s. A agência observou, ainda, que as autoridades brasileiras têm um histórico bem sucedido ao lidar com esse tipo de pressão. "No entanto, a mudança destacada no sentimento resultou em uma deterioração da capacidade dos tomadores de recursos brasileiros, incluindo o governo, de acessar os mercados financeiros internacionais, a não ser em termos menos favoráveis", ressaltou o texto. Além disso, prossegue a Moody´s, enquanto as instituições financeiras internacionais têm fornecido apoio financeiro e moral, um novo pacote de assistência financeira de elevado tamanho não pode ser desconsiderado se tal programa (de nova assistência financeira) for exigido antes da eleição. A Moody´s reconheceu que um contraponto pode ser feito, já que o sentimento do mercado exagera os riscos associados às próximas eleições. "Contudo, os efeitos reais causados pelo sentimento negativo ("bearish") que prevalece no momento pode incluir um aumento de fato nos riscos financeiros que se colocam ao governo atual e ao futuro. Até que haja maior clareza em relação a políticas financeiras e econômicas que podem ser esperadas para o período pós-eleição, o Brasil estará sujeito a fortes oscilações no sentimento do investidor", afirma o comunicado, que é assinado por Vicent J. Truglia, diretor-gerente da área de risco soberano, e por Luis Ernesto Martinez-Alas, principal analista de risco soberano para Brasil.

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