Mike Segar/Reuters
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Agência Moody's corta a nota do Brasil em dois graus e tira o selo de bom pagador

Com a decisão, o País deixa de ter o chamado grau de investimento pelas três principais agências de classificação de risco do mundo

Gabriel Bueno da Costa e Niviane Magalhães , O Estado de S. Paulo

24 Fevereiro 2016 | 09h08

SÃO PAULO - A agência de classificação de risco Moody's rebaixou a nota do Brasil em dois graus, de Baa3 para Ba2, com perspectiva negativa - o que indica novos rebaixamentos. Com isso, o País perde o grau de investimento e já não possui mais o selo de bom pagador por nenhuma das três principais agências do mundo (Fitch e Standard & Poor’s já haviam reduzido a nota brasileira em 2015 - leia mais abaixo)

Segundo a Moody´s, o rebaixamento foi motivado pela perspectiva de maior deterioração fiscal, em um ambiente de baixo crescimento, com a dívida do governo podendo superar 80% do Produto Interno Bruto (PIB) dentro de três anos. A agência cita também a "dinâmica política desafiadora", que continua a complicar os esforços de consolidação fiscal das autoridades e a atrasar as reformas estruturais. 

Esse corte duplo da Moody's - que exclui o Brasil da cesta de países em que vale a pena investir - chega em um contexto político delicado. Hoje, João Santana, marqueteiro das campanhas eleitorais da presidente e Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prestará depoimento para a Polícia Federal. Além disso, o vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, afirmou que é possível incluir novas provas, colhidas no âmbito da Operação Lava Jato, no processo que pede a cassação do mandato da presidente da República e do vice, Michel Temer.

Segundo as previsões da agência, a consolidação fiscal será lenta e o crescimento econômico "anêmico", nos próximos dois a três anos. A Moody´s prevê que o PIB do Brasil registre contração de 0,5% entre 2016 e 2018, em média. Além disso, espera que a taxa de juros permaneça elevada em termos reais, o que contribui para as dificuldades para lidar com a dívida, "com pagamentos de juros que representam mais de 20% da receita do governo".

O corte duplo é justificado pela agência dizendo que houve uma deterioração muito forte da economia brasileira desde que a nota Baa3 foi estabelecida, em agosto de 2015. "Essa deterioração deve continuar pelos próximos três anos, diante da escala do choque para a economia brasileira, da falta de progresso do governo em atingir seus objetivos de reforma fiscal e econômica e da dinâmica política que deve persistir nesse período".

A Moody's afirma que, para lidar com os desafios fiscais, é preciso vontade política "significativa" e um consenso para reverter a tendência de alta no gasto público, com o objetivo de estabilizar a trajetória da dívida. A agência lembra que o governo busca ganhar o apoio do Congresso para reformas importante, entre elas a da Previdência, com a elevação da idade mínima para a aposentadoria, e elevar a flexibilidade fiscal, além de reduzir o montante destinado a alguma alocação específica.

Isso é um fato positivo, segundo a Moody´s, mas a aprovação no Legislativo é difícil, diante do "apoio limitado" ao governo no Congresso e dos desafios para a presidente Dilma Rousseff. "E o apoio político fraco à presidente e à sua administração oferecem pouca perspectiva de reformas mais abrangentes no horizonte do rating", diz o comunicado da agência .

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