Agência Petrobrás
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Agência Moody’s volta a elevar nota da Petrobrás

Classificação de risco da estatal passou de B2 para B1, mas ainda está quatro degraus abaixo do grau de investimento

Gabriel Bueno da Costa, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2017 | 15h44

A agência de classificação de risco Moody’s elevou a nota da Petrobrás, de B2 para B1. Foi a segunda elevação da estatal em menos de seis meses. Mesmo assim, a Petrobrás ainda está quatro degraus abaixo do chamado “grau de investimento”, selo que garante às empresas acesso a condições de financiamento melhores. A agência também alterou a perspectiva da nota da petroleira de estável para positiva.

Segundo a Moody’s, a perspectiva reflete a expectativa de que, nos próximos 18 meses, a liquidez e o risco de crédito geral da companhia continuem a melhorar, o que poderia levar a outras elevações no rating.

O anúncio teve impacto ontem a Bolsa de Valores. As ações ordinárias (ON, com direito a voto) fecharam em alta de 1,69%, e as preferenciais (PN, sem direito a voto) subiram 1,63%. O Ibovespa teve alta de 0,09%, aos 64.649,81 pontos.

A Moody’s diz que as condições financeiras da estatal melhoraram nos últimos trimestres, como resultado do menor gasto com investimento em 2016 que o planejado, de ganhos com um gerenciamento operacional disciplinado e com a apreciação do real, que afeta positivamente os custos operacionais.

Além disso, a agência citou a nova política de combustível, que elevou a flexibilidade da estatal. “O ambiente regulatório também melhorou no Brasil, o que apoia um melhor retorno sobre o investimento no curto prazo”, argumenta a agência.

Por meio do Twitter, o presidente Michel Temer comemorou a notícia. Disse que a avaliação da agência é resultado do trabalho feito por seu governo. “Começamos a colher o resultado de trabalho feito com responsabilidade”, escreveu. Ele destacou ainda que a Moody’s elogiou a nova gestão da Petrobrás e a nova política de preços de combustíveis. “É o Brasil no rumo certo”, disse.

Riscos. Apesar dos elogios e mesmo com as melhorias, a Moody’s diz que o risco de liquidez da Petrobrás continua a ser uma preocupação. Entre os eventuais problemas, a agência cita o risco de execução do plano de negócios para 2017-2021 e atrasos potenciais na execução completa de seu plano de venda de ativos. Por outro lado, como fatores positivos a Moody’s cita acordos com investidores individuais que mantinham disputas legais ligadas à investigação da Operação Lava Jato, bem como certa redução nas incertezas com acordos adicionais e o pagamento de multas, entre eles um acordo nos Estados Unidos.

O novo rating, de acordo com a agência, é apoiado pela “base de reserva sólida da companhia” e por “seu domínio na indústria petrolífera brasileira”, bem como por sua importância para a economia do Brasil. Ainda assim, a agência diz que a posição fiscal atual do governo brasileiro reduz a capacidade federal de apoiar a Petrobrás de maneira suficiente para impedir um eventual default. / COLABOROU DANIEL WETERMAN

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