Wiilton Júnior/Estadão
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Agência rebaixa nota da Vale e coloca rating em revisão para novo corte

Fitch aponta que o rebaixamento reflete a expectativa de que a empresa terá pela frente 'pesados custos de reparação como resultado do acidente em Brumadinho'

Victor Rezende e Gabriel Bueno da Costa, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2019 | 20h32

A agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota de crédito em moeda estrangeira da Vale de BBB+ para BBB- e colocou o rating em observação para um eventual novo corte.

Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, 28, a Fitch aponta que o rebaixamento reflete a expectativa de que a empresa terá pela frente "pesados custos de reparação como resultado do acidente em Brumadinho". 

De acordo com a agência, o corte na nota de crédito da Vale também vem na esteira de expectativas de que as multas contra a empresa serão "substanciais, já que o acidente de mineração ocorreu aproximadamente três anos depois que outra barragem se rompeu".

Além disso, a Fitch argumenta que suas ações de rating são uma expectativa de diminuição da produção no curto prazo e no investimento adicional para remediar a tragédia, além de outras despesas para garantir a segurança em várias outras barragens da Vale. 

"O acesso da empresa ao financiamento provavelmente também será prejudicado devido a preocupações com questões ambientais, sociais e de segurança", afirmou a agência.

Nos cálculos da Fitch, em um cenário em que a Vale perde toda a produção do complexo de Paraopeba, o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização)  da companhia cairia de estimados US$ 15 bilhões em 2019 para US$ 13,6 bilhões, considerando US$ 60 por tonelada o preço do minério de ferro. 

"Em uma base pro forma, isso elevaria a alavancagem (dívida) líquida projetada da empresa de 0,7x para 0,8x", aponta a agência, que acredita em uma elevação desses índices devido a reparações, multas e outras possíveis obrigações a serem impostas sobre a Vale.

No comunicado, a agência também aponta que a Vale utilizou processamento a seco para cerca de 40% de sua produção, enquanto os 60% restantes exigiram barragens de rejeitos, sendo 136 no Brasil. 

"Se a produção nessas barragens for interrompida em qualquer um dos outros locais devido a qualquer uma das agências reguladoras e/ou a preocupação de autoridades federais sobre essas várias barragens de rejeitos, os ratings da Vale podem sofrer rebaixamentos adicionais", afirmou a Fitch. 

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