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Agência S&P revisa perspectiva da nota da Petrobrás para negativa

Em comunicado, agência de classificação de risco afirma que revisão da perspectiva reflete a dificuldade da estatal em conseguir financiamento para seu plano de investimento, que poderia aumentar a produção e desalavancar seu orçamento

Francine De Lorenzo, Marcelo Osakabe, O Estado de S. Paulo

23 de março de 2015 | 21h02

A agência de classificação de risco Standard & Poor's revisou a perspectiva do rating da Petrobrás para negativa, de estável. O rating da companhia foi mantido em BBB-, a apenas um degrau de perder o grau de investimento.

A agência também revisou o perfil de crédito individual (SACP, na sigla em inglês) da empresa para b+, de bb. Segundo a S&P, a revisão não afeta o rating de crédito corporativo da Petrobrás.

Em comunicado, a S&P afirma que a revisão da perspectiva reflete a dificuldade da Petrobrás em conseguir financiamento para seu plano de investimento, que poderia aumentar a produção e desalavancar seu orçamento.


"As maiores dificuldades em acessar o mercado de capitais deverão pesar sobre o crescimento da produção e a geração de caixa" da Petrobrás, diz a agência, que acrescenta que a recente desvalorização do real também deve impactar as métricas de alavancagem da empresa.

Financiamento. A Standard & Poor's afirma que a revisão do perfil de crédito individual da Petrobrás se baseia na expectativa de que a empresa irá enfrentar uma geração de caixa mais fraca e um balanço mais alavancado em 2015 e 2016. Isto ocorre porque a companhia enfrenta, atualmente, um acesso mais restrito ao financiamento internacional, um atraso nas curvas de produção e a desvalorização da moeda nacional.

Ainda segundo a agência, as investigações sobre casos de corrupção na estatal "não apenas estrangularam o financiamento ao planos de investimentos da empresa, como também enfraqueceram seus principais fornecedores, e atrasaram a construção de plataformas de petróleo que poderiam elevara a produção".

A S&P espera ainda que a geração de caixa deve se deteriorar ainda mais por causa de potenciais obrigações que poderão surgir de processos abertos contra a empresa nos Estados Unidos. Os valores e a data em que esses eventos podem acontecer, entretanto, ainda são desconhecidos.

Segundo a S&P, embora a Petrobrás esteja tomando diversas medidas para melhorar sua governança corporativa, as investigações de corrupção evidenciam a incapacidade da companhia de, no passado, identificar riscos críticos estratégicos e determinar e implementar controles significativos de risco. "Por isso, revisamos nossa classificação de gestão e governança da Petrobrás para "fraco" de "justo"", comentou a agência em seu relatório.

A S&P afirma que a revisão do perfil de crédito individual da Petrobrás não afeta o rating da companhia porque "continuamos a ver uma probabilidade de que o governo vai fornecer a tempo e de forma suficiente suporte extraordinário para a empresa no caso de uma crise financeira muito acentuada", diz a S&P.

Os ratings da dívida sênior não garantida da Petrobrás International Finance Co. e da Petrobrás Global Finance também foram mantidos em BBB-.

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