Agências aderem aos feirões para vender pacotes

Operadoras e agências de turismo preveem vender mais pacotes em julho, mas a preços menores

Marianna Aragão, O Estadao de S.Paulo

13 de junho de 2009 | 00h00

Com as férias de julho se aproximando e o fantasma da crise ainda no ar, a indústria do turismo busca inspiração nos feirões automobilísticos para desovar os estoques de pacotes. Na próxima semana, a CVC, maior operadora de turismo do País, fará seu primeiro feirão de viagens. A empresa pretende vender pacotes com condições inéditas no setor - como parcelamento de destinos internacionais em até 12 vezes sem juros e a possibilidade de viajar e só pagar quando voltar. Estratégia semelhante seguem os grandes resorts do País, que iniciam hoje uma promoção conjunta para hospedagem em julho, a custo de baixa temporada.Com a "ajudinha" do dólar, em queda desde maio, as vendas devem esquentar, acreditam representantes do setor. "Em número de passageiros, devemos ter um mês de julho melhor que o de 2008, que já foi um ano excelente", diz o presidente da Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo), José Eduardo Barbosa. Entretanto, por causa da queda nos preços, ele acredita que não deve haver expansão em termos de faturamento.A CVC estima um crescimento de 18% em julho ante o mesmo período do ano passado. Desde março, a companhia vem investindo em uma estratégia agressiva de preços e ampliando os prazos de financiamento dos pacotes. "Se ficássemos parados, aí sim a crise poderia chegar. Essa é a hora de reduzir preços", afirma o gerente-geral de vendas, Roberto Vertemati. Em destinos como o Caribe, a CVC esticou o prazo de pagamento de 4 para 12 meses.O portal Decolar, maior empresa de vendas de pacotes e passagens aéreas pela internet, criou em novembro passado uma linha de crédito própria para financiar seus clientes. As viagens podem ser financiadas em até 18 vezes sem juros. A medida visa a atingir não apenas as classes C e D - que respondem por metade dos compradores do site -, mas também as de mais alta renda. "Temos tanto a classe média que financia a passagem na classe executiva quanto o casal de classe C que vai fazer seu primeiro cruzeiro", afirma o diretor-geral do Decolar, Alípio Camanzano. O dólar baixo, porém, funcionou como um catalisador das vendas no setor. Na CVC, as vendas de pacotes para destinos internacionais cresceram 30% desde março. A queda gradativa do valor da moeda americana tem mudado também o comportamento do turista. Na Nascimento Turismo, a procura por viagens para o exterior começou a se aquecer agora. "Como o dólar está caindo dia a dia e não existe preocupação com vaga, as pessoas estão esperando e fazendo reservas de última hora", afirma o diretor-geral, Plínio Nascimento. Os preços para a alta temporada também estão menores: em média, 20% de redução nos destinos internacionais e 15% nos nacionais. "As promoções também vêm de nossos fornecedores, por causa da baixa ocupação", diz Nascimento. Para o presidente da Braztoa, as ofertas refletem o momento de crise que vive o turismo em outros países. "Todo o setor está fazendo promoções para captar o consumidor do Hemisfério Sul." INTERNACIONALA liberação dos preços de passagens internacionais pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em abril, foi um ingrediente importante para o aquecimento das vendas. "Hoje, você compra uma passagem para Nova York por US$ 580. Antes, não encontrava por menos de US$ 800", afirma Camanzano, do portal Decolar. Em julho, porém, a tendência é que os preços das passagens acompanhem a demanda. "A alta temporada vai se vender sozinha", acredita Sílvia Fagundes, diretora da Travelstart. Os preços das passagens para destinos domésticos também têm movimentado o setor, segundo os empresários. "A entrada de novos competidores, ainda que tímida, já fez baixar os preços", diz Plínio Nascimento. A Azul, por exemplo, lançou uma promoção na semana passada para parcelamento de passagens em até 10 vezes sem juros. Os destinos incluem Salvador, Recife e Curitiba.A oportunidade é acompanhada de perto por consumidores como o advogado Rodrigo Valverde, de 26 anos. Valverde, que costuma viajar todos os anos, diz que já percebeu redução no preço das passagens domésticas. "Estou viajando mais", afirma ele, que, este ano, já foi para Florianópolis e Salvador para passar finais de semana. Os destinos internacionais também ficaram mais atraentes, acredita. Na próxima semana, ele embarca para Valle Nevado, no Chile. "Com o dólar caindo, os pacotes tornaram-se mais acessíveis."

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