Agências avaliam risco embutido nos fundos

A escolha de um fundo de investimento pode tomar como base notas atribuídas por agências de classificação de risco. Partindo desta premissa, as instituições que distribuem fundos deram início à disseminação da atribuição de ratings, que são as notas dadas por estas empresas especializadas em analisar o risco desses produtos.O diretor-executivo da Fitch Ratings, Rafael Guedes, diz que o rating é uma análise importante para o investidor por ser feito por uma empresa independente da instituição, com visão global do mercado. Em geral, o rating avalia o risco de perdas que os aplicadores correm. Ele é uma ferramenta para o investidor analisar se o produto corresponde ao risco que pode ou quer correr, diz o analista de Fundos da Moody´s, Norton Bastos.O diretor de Análise de Fundos da Standard & Poor´s (S&P), Sérgio Garibian, afirma que, por enquanto, os fundos avaliados são direcionados a grandes investidores. Mas a demanda por informações e transparência está aumentando e tende a atingir os aplicadores de porte médio, afirma. É importante verificar também as condições das administradoras, diz o analista de Fundos e Asset Managements da Atlantic Rating, Reginaldo Pereira. "As análises são quantitativas e qualitativas, e os consultores visitam os gestores e as instituições atrás de informações." O diretor-geral da Agrif, Luiz Felipe Candiota, diz que cada empresa tem uma metodologia diferente. Bastos afirma que, no Brasil, a análise de fundos de renda fixa, por exemplo, é distorcida, pois grande parte da carteira desses fundos é composta por títulos públicos federais, com risco considerado zero. Na Moody´s, é analisada também a performance dos fundos para atribuição do rating. Já na Agrif, são considerados rentabilidade, patrimônio, histórico, relação com o índice de referência, se tiver, transparência da gestão e relação risco-retorno, diz Candiota. As avaliações das agências de risco são rigorosas, pois é disso que depende a sua credibilidade. Uma auditoria só é feita nos fundos por pedido das instituições que os mantém, explica Bastos. Guedes diz que as análises são caras para os bancos, por isso não são comuns. "Além disso, mesmo para especialistas, é difícil colocar luz sobre todas as informações dos fundos", acrescenta Bastos. RatingsAs escalas variam conforme a metodologia usada. Em geral são dadas em letras, cuja máxima sempre é AAA, ou estrelas, até cinco. As notas são dadas periodicamente. Na Atlantic Rating, por exemplo, os fundos são analisados trimestralmente e as administradoras a cada seis meses. Fato apontado por quase todas as agências de rating é que muitas instituições, após receberem a nota, negam-se a divulgá-la. "Mais da metade das instituições não aceita a nota, por supor que os investidores não a apreciarão", afirma Garibian. Guedes, da Fitch, diz que, por mostrar o risco embutido, um rating baixo significa que o produto é indicado somente a quem pode perder até todo o capital e contra-indicado para quem depende dos recursos no curto prazo. Isso não quer dizer que uma nota transforma o fundo em ótimo ou péssimo, apenas auxilia na escolha da aplicação segundo o perfil do investidor.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.