Agências brasileiras avançam no exterior

Publicitários e filiais brasileiras de múltis são chamados a atuar lá fora

Marili Ribeiro, O Estadao de S.Paulo

21 de abril de 2008 | 00h00

Há uma notícia que está ficando corriqueira no meio publicitário. É aquela que informa a ida de profissionais de criação para participar de concorrências internacionais na sede dos grupos de comunicação ao qual as suas agências estão associadas. Algo na linha do anunciado, na semana passada, sobre a viagem de uma dupla da agência Lew, Lara/TBWA a Los Angeles, afim de colaborar com as outras duplas dos escritórios da TBWA espalhados pelo mundo, para a disputa da verba de propaganda de um cliente multinacional.A presença de profissionais brasileiros nesses pools de criação para as grandes marcas globais era pontual. Mas, no último ano, está virando rotina. "Antes era esporádico, agora é bandeirada", brinca Mario D?Andréa, vice-presidente de criação da JWT no Brasil. "Diria que a demanda cresceu uns 25% em relação ao passado", acrescenta D?Andréa, que está nesse negócio há 26 anos.O melhor para as agências daqui é que as suas propostas estão ganhando espaço e, em alguns casos, até mesmo encabeçando as campanhas globais. Há duas semanas, Anselmo Ramos, vice-presidente de criação da Ogilvy Brasil, foi gravar no exterior a nova campanha mundial para a linha de cabelos da marca Dove, da Unilever, toda desenvolvida em São Paulo. "O nosso mercado não está mais na Vila Olímpia (bairro que concentra grande número de agências e produtores de publicidade), há muitas oportunidades além fronteiras", diz ele que, por 12 anos, trabalhou no exterior para várias redes de agências. Só nos últimos meses, a Ogilvy elaborou campanhas globais para marcas como Fanta, Motorola, Confort e para uma das bonecas da indústria de brinquedos Mattel.A intensificação da presença brasileira integrando as forças tarefas em concorrências mundiais, sempre dominada pelos americanos e ingleses, não se dá por conta de custos menores. "O salário de um publicitário júnior no Brasil corresponde a de um sênior no exterior", esclarece Ramos, com o conhecimento de vivência profissional lá fora. "Aliás, acho mesmo que o maior problema para aceleramos ainda mais nossa presença é a falta de domínio do inglês no meio, vejo que muitos deles fogem de participar das conferências via telefone com os escritórios de fora por medo do idioma."ECONOMIAO que tem colocado o Brasil na rota da criação das campanhas globais é a economia em rota de cruzeiro. "Em vários segmentos o País hoje já representa 60% dos negócios de muitas multinacionais na América Latina", explica D?Andréa. "Por isso mesmo, errar na forma escolhida de passar as mensagens publicitárias pode atingir o negócio e reverter em prejuízo. Ninguém quer arriscar. A direção mundial da conta do HSBC na JWT, por exemplo, sempre chama o Brasil quando vai lançar um projeto", acrescenta. Fora as questões de ordem econômica, há ainda o fato de os brasileiros terem um jeito de criar mais solto que interessa e, aliás, sempre foi reconhecido lá fora até pela fatura de prêmios que o País sempre obteve, dizem os publicitários. Mas não só os brasileiros estão sendo chamados, os profissionais asiáticos também fazem parte dessas ações entre outras razões pela excelência gráfica de seus trabalhos, que é um forte elemento na comunicação daqueles países. "O mercado interno cresceu tão positivamente para o uísque Jonnhie Walker que o País ganhou relevância no board de comunicação deles lá fora", conta Alexandre Gama, presidente da agência NeogamaBBH, que detém a conta no Brasil. "Fomos chamados para as reuniões de desenvolvimento da próxima campanha global da marca que deverá ser veiculada em outubro, porque por lá eles planejam com muita antecedência", acrescenta.REMUNERAÇÃOA NeogamaBBH não só aumentou sua freqüência de participação nas concorrências globais do rede BBH, como se orgulha de ser remunerada pelas tarefas, já que a prática do segmento é a matriz entender a participação como parte da prestação de serviços da subsidiária no risco da concorrência.A presença nesses processos é considerada importante não só pelo faturamento que pode representar em si, como também pelo prestígio conquistado. Caso da campanha global da marca Omo, um dos maiores investimentos da Unilever em propaganda, cuja idéia criativa escolhida e que está em cartaz foi proposta pela equipe brasileira da NeogamaBBH: "Toda a criança tem o direito de ser criança".

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