Thelma Vidales | DIV
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Agências de SP enxugam operações no Rio

Às vésperas da Olimpíada, crise atropela promessa de expansão em terras cariocas

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2016 | 03h00

A cinco meses do início da Olimpíada, que seria a coroação de um novo momento da economia do Rio de Janeiro, grandes agências estão se retirando ou reduzindo drasticamente as operações na cidade. O consenso entre quem está fazendo este movimento é que o atendimento de parte dos clientes das filiais pode ser transferido para São Paulo, onde fica a sede das maiores empresas do ramo no País.

O motivo para a redução está no fato de que boa parte dos anunciantes sediados no Rio passa por um momento de crise. A Petrobrás, escaldada com a Operação Lava Jato, está cortando custos. A mineradora Vale registrou prejuízo recorde em 2015. A Oi, endividada, contratou consultoria para pôr suas contas em ordem. O governo do Rio enfrenta uma das piores crises financeiras entre os 27 Estados do País.

Somente neste ano, duas operações importantes foram praticamente encerradas. O Grupo ABC, meses após ser adquirido pelo americano Omnicom por cerca de R$ 1 bilhão em dezembro, descontinuou a Africa Rio, onde trabalhavam 45 pessoas. A operação, apurou o Estado, agora terá três pessoas e fará apenas trabalhos de merchandising. A sede do Leblon será trocada por um espaço em um escritório compartilhado na Barra da Tijuca. Em 2015, o ABC já havia encerrado a DM9Rio.

A Africa não quis comentar a redução das operações, mas o Estado apurou que o entendimento era de que, além de boa parte do trabalho poder ser transferido para a sede, o mercado perdeu apelo para os grupos estabelecidos em São Paulo. “Acho que a publicidade no Rio será mais regional, como a de outras capitais. São contas que nem sempre interessam aos grandes grupos”, diz uma fonte.

Além da Africa, a FCB também fez um corte profundo na operação carioca, motivada pela perda de parte da conta da Petrobrás. Nos tempos de euforia com o setor de óleo e gás, há cerca de cinco anos, a empresa fez um investimento pesado no escritório do Rio. Em 2012, chegou a ter 75 funcionários, instalados em um escritório de mil metros quadrados.

O presidente da FCB Brasil, Aurélio Lopes, diz que a empresa está definindo qual será o novo tamanho ideal para a operação no Rio de Janeiro. O escritório, dependendo dos negócios que permanecerem na carteira da empresa, deverá ter de 10 a 15 funcionários, em um espaço de 200 metros quadrados. Entre os clientes que restam no Rio estão TIM, Sony Pictures e o Shopping Rio Sul.

Tanto o presidente da FCB quanto outros executivos entrevistados pelo Estado afirmaram que, apesar de o faturamento no Rio de Janeiro ser inferior, o custo de operação na capital fluminense é parecido com o de São Paulo. “Diria que os salários no Rio são cerca de 10% mais baixos. Em compensação, os custos com as instalações físicas são mais altos, então acaba quase empatando”, resume Lopes.

Movimento. As ações da Africa e da FCB são os exemplos mais recentes de um processo de enxugamento de operações no Rio que começou no fim de 2014 e se estendeu por 2015, envolvendo agências como F/Nazca e DPZ&T. A carioca NBS, comprada pelo grupo japonês Dentsu em 2014, cortou 40 vagas no início do ano passado. Hoje, tem 250 funcionários no Rio e 80 em São Paulo – porte que seu presidente, Cyd Alvarez, espera poder manter até o fim do ano.

Apesar de ter reduzido sete cargos na semana passada, incluindo três diretores, Alvarez acredita que a crise no Rio não é diferente da sofrida pelo Brasil todo. “Houve também cortes nas agências de São Paulo”, lembra o executivo. Ele explica que, como o mercado do Rio é menor, a perda de uma conta importante pode determinar o fechamento de escritórios de agências cujas sedes ficam em outra cidade.

“Apesar de ser verdade que os investimentos publicitários estão caindo, prefiro ter um olhar otimista”, diz Alvarez. Ele reitera que os cortes feitos na semana passada não foram reduções de custo, mas adaptação de quadros. Parte dos demitidos será substituída. “Anunciaremos contratações importantes nas próximas semanas.”

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