Agências mantêm foco na disciplina fiscal do Brasil

A disciplina fiscal continua na mira das agências de rating Standard & Poor´s e Moody´s, apesar dos pedidos do ministro da Fazenda, Guido Mantega, por uma abordagem mais flexível na análise do país. Mantega esteve em Nova York esta semana, onde se encontrou com representantes das agências de classificação de risco e pediu que levem em conta indicadores econômicos "não tradicionais", incluindo potencial de crescimento maior do país. Atualmente, o Brasil está a dois degraus da faixa "grau de investimento", que pressupõe menor risco aos investidores. A Standard & Poor´s não faz comentários sobre reuniões específicas com qualquer autoridade de um governo, mas falando em termos gerais, a analista de ratings soberanos da agência Lisa Schineller afirmou que a política fiscal continua no holofote. "O Brasil ainda está atrás, em termos da relação dívida/PIB, quando comparado a outros países BB+ ou investment grade", disse à Reuters por telefone, referindo-se aos países com nota superior à do Brasil, classificado em "BB" com perspectiva positiva. A analista cita que houve melhora significativa nas contas externas do país, por exemplo, mas que é necessário ver sinais de sustentação das melhorias em algumas outras áreas. "O rating é uma combinação de diferentes indicadores... Não há um número mágico em termos de relação dívida/PIB que estamos olhando. Não há também um número mágico em termos de taxa de crescimento. Nós olhamos uma combinação de indicadores e a tendência de melhora." A Moody´s confirmou o encontro com Mantega na véspera e também citou atenção ao desempenho fiscal. "As autoridades brasileiras apresentaram um resumo dos acontecimentos econômicos mais recentes e mudanças estruturais em andamento que são relevantes para o rating soberano do Brasil", informou a agência em nota assinada pelo vice-presidente de risco soberano, Mauro Leos-Lopes. "A Moody´s... indicou que sua opinião a respeito do rating soberano do Brasil continuará a focar o desempenho fiscal atual e projetado, as prioridades das políticas do governo e, acima de tudo, a posição relativa dos indicadores de dívida do Brasil quando comparados a países de rating similar ou superior." A Moody´s atribui à dívida soberana do Brasil nota "Ba2". Mercados otimistas Os mercados brasileiros esperavam uma melhora da nota do país em breve. Nos últimos dias, a Bolsa de Valores de São Paulo tem registrado sucessivos recordes e o dólar pode cair abaixo de 2 reais. O risco Brasil, medido pelo JP Morgan, encontra-se no patamar de 150 pontos-básicos, próximo do menor nível histórico e também abaixo do risco de uma cesta de países emergentes (Embi+). Perguntada sobre o otimismo local, a analista da Standard & Poor´s afirmou que os mercados refletem os fundamentos da economia mas "também refletem as condições de liquidez global" que são favoráveis. "Não quer dizer que nós não olhamos os spreads. Nós olhamos. Mas nós não reagimos a eles e também reconhecemos que há questões de liquidez e volatilidade nos mercados", disse. Ela lembrou que em 2002, ano da primeira eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o spread dos títulos da dívida brasileira sobre os Treasuries alcançou a faixa de 2.000 pontos-básicos. "E nós não reduzimos o rating do Brasil. Se tivéssemos mudado para um rating consistente com os 2.000 pontos, estaríamos falando de algo na categoria ´CCC´".

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