Agências podem rebaixar banco que emprestar ao Brasil

Os bancos que resolverem ceder aos pedidos do governo brasileiro e restabelecerem suas linhas de crédito para o Brasil podem ter sua classificação de risco rebaixada. É o que se depreende de um relatório divulgado dias atrás pela agência de classificação de risco Standard & Poor´s. Ele diz que a turbulência no Brasil pode aumentar "pressões negativas" sobre a classificação das instituições com maior exposição ao País. Segundo o relatório, FleetBoston, ABN-Amro e Santander são bancos "vulneráveis aos acontecimentos no Brasil".Para Marcos Brandão, analista da corretora Fator Doria Atherino, a possibilidade de rebaixamento nas classificações pode desencorajar as instituições que estiverem estudando um aumento na concessão de crédito ao País. "O principal problema para os bancos que têm suas classificações de risco rebaixadas é que o custo para tomar dinheiro emprestado aumenta", explica Brandão. Um rebaixamento encarece a captação e os bancos pagam uma taxa de juros maior, porque são percebidos como clientes de maior risco.O relatório da S&P ressalva que não haverá "modificações maciças nos ratings" desses bancos no momento. A agência diz ainda que, com a atual nota de crédito B+ para a dívida brasileira de longo prazo em moeda estrangeira, a S&P não considera insustentável a dívida do Brasil. "Mas desafios do ambiente externo e interno limitam a possibilidade de manobras e a perspectiva é negativa."A agência diz que o Santander, o ABN Amro e o FleetBoston são os mais expostos ao risco brasileiro, pelo tamanho das operações no País, nível de capital investido e importância do Brasil na estratégia do grupo. "Por isso não é surpresa que duas (Fleet e ABN) das três instituições tenham perspectiva negativa e o Santander foi recentemente rebaixado."Lenta retomadaInstituições como Citigroup, HSBC, BBV e BNP Paribas, segundo o relatório, também têm exposição considerável ao País, mas não devem ser muito afetadas pela evolução do risco no País. Segundo a S&P, o maior risco para os bancos que concedem linhas para o Brasil é a dívida privada. "Nos próximos 12 meses, haverá vencimentos e amortizações consideráveis, que podem resultar em calotes."O documento foi citado pelo CSFB em relatório para clientes: "A S&P afirmou que a exposição ao Brasil aumenta a pressão sobre a classificação de risco de alguns bancos". "Nessas circunstâncias, é provável que os bancos continuem a reduzir sua exposição ao Brasil." Daniel Araújo, analista da área de bancos da S&P, enfatizou que o documento analisa as matrizes dos bancos e avalia quais instituições podem ser mais afetadas com uma piora no Brasil.As linhas de crédito têm ensaiado um retorno, ainda que modesto. O diretor de pesquisa para a América Latina da consultoria Ideaglobal, Ricardo Amorim, diz que, com base em conversas informais no mercado, já é possível perceber uma lenta recuperação do crédito ao Brasil. Ele ressaltou, porém, que a retomada do crédito deve ser muito lenta, por causa da transição política.

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