Agências rebaixaram Brasil para compensar erros, diz Ricupero

O ex-ministro da Fazenda e atual secretário-geral da UNCTAD (Organização das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento), Rubens Ricupero, afirmou hoje em Lisboa que as agências de avaliação de risco que rebaixaram o Brasil por causa da subida do candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, nas pesquisas estão sendo "mais irresponsáveis do que os candidatos". Ele considera que, com a queda do Brasil, elas tentam compensar outros erros."As agências tinham que se basear em critérios objetivos, mas entraram no terreno da especulação política, das intenções, que é muito perigoso. Inclusive não foram capazes de prever nem a bolha que houve nas telecomunicações e no investimento na Internet, nem a crise asiática. Portanto, agora estão procurando de certa forma compensar, exagerando em outras áreas", disse Ricupero à Agência Estado.Para o ex-ministro, os fundamentos da economia brasileira não justificam a queda do real. "Acho que contribuiu para isso o papel pernicioso das agências de avaliação de crédito que, em vez de se aterem à função primordial delas, que é avaliar a possibilidade de que os países não possam manter os pagamentos, estão hoje ingressando cada vez mais num terreno perigoso de especulações hipotéticas que aumentam a taxa de incerteza que existe no mercado. À medida que se verifique que nada do que está acontecendo no Brasil justifica este tipo de posição, que os fundamentos da economia continuam sólidos, este tipo de situação vai tender a uma maior calma".Ricupero, que se encontra em Portugal para participar o 1º Fórum Empresarial da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, afirmou que não há razões na campanha eleitoral para o aumento do risco Brasil. "Se os candidatos na campanha brasileira estivessem fazendo declarações irresponsáveis ou levianas, aí sim se poderia dizer que eles contribuíram para isso. Os candidatos, a meu ver, tem sido todos prudentes. Há muito tempo que eu não vejo uma declaração que justifique essa atitude. Mas ninguém pode se inocular contra suspeitas de intenções secretas".Ele criticou a idéia de que queda do real seja uma questão que apenas tenha a ver com a política brasileira. Apesar de haver uma dimensão brasileira na questão, Ricupero aponta a situação internacional como responsável principal pela instabilidade: "É um problema mundial. O dólar está caindo, a economia mundial tem apresentado sinais contraditórios, há uma queda do índice de confiança dos consumidores dos Estados Unidos e também na Alemanha, os mercados ontem estavam desabando. Esse ambiente contagia, porque aumenta muito a percepção do risco. É importante que no Brasil haja a consciência de que a situação vai muito além do problema brasileiro".Ricupero também negou que tenha sido convidado para fazer parte de um governo do PT: "Nunca fui nem convidado nem sondado. Meu único conhecimento disso é o que saiu nos jornais, primeiro na revista Época e depois creio que no Globo. Mas fora disso não tenho conhecimento".

Agencia Estado,

27 de junho de 2002 | 10h32

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