Agências seguem as empresas e migram para o interior de SP

As agências de publicidade do interior paulista crescem e ensaiam deixar o papel de coadjuvantes dos grandes grupos da capital. O que leva a essa situação é o aumento dos investimentos publicitários na região, que já somam R$ 3,4 bilhões, ou 8% da receita total da publicidade brasileira. A região ocupa o terceiro lugar no ranking elaborado a partir de dados do Ibope Monitor. Fica atrás apenas da Grande São Paulo (36% da receita) e Rio (14%). A transferência de indústrias e empresas de serviços da capital paulista para o interior é uma das causas desse crescimento. Esse movimento leva ao aumento do PIB da região, que totalizou, no ano passado, US$ 135,9 bilhões, segundo projeção da consultoria MB Associados. O valor é, por exemplo, 12% maior que o do PIB chileno, de US$ 121 bilhões no mesmo ano. Esses números são a justificativa para a sofisticação no atendimento das agências do interior. Serviços antes feitos pelas agências da capital agora são assumidos por agências com sede principalmente em dois fortes pólos de expansão desse setor: Campinas e Ribeirão Preto. Migração Para além das redes de supermercados regionais e das concessionárias de veículos, que sempre lançaram mão das agências locais, empresas como Dow AgroSciences, Cargill, Unilever, 3M, Bosch, International Paper, Magazine Luiza e Gas Brasiliano , entre outras, integram o portfólio de agências como Saviezza Propaganda e Portal Publicidade, ambas em Campinas, ou NW3 Comunicação e Etco Comunicação, em Ribeirão Preto, ou ainda a PDI/Volume 4, de Araraquara De olho no crescimento desse mercado, Sergio Amado, presidente de uma das maiores agências com atuação no País, a Ogilvy, comprou 40% de participação na Etco, que detém contas como Magazine Luiza, Café Três Corações e Rossi Construtora . Segundo Amado, a agência já tem um faturamento em torno de R$ 150 milhões, compatível com o porte de algumas das agências média da capital. "Com o avanço da bioenergia, que promete investimentos substanciais em especial no interior de São Paulo, temos boas razões para acreditar que vamos crescer junto com a Etco no interior", diz. A diretora da Etco, Márcia Rodrigues, vê com bons olhos o potencial do agronegócio, mas explica que, muito antes disso, já detectava mudança de comportamento dos empresários do interior. "Somos muito procurados por empresas familiares que chegam e perguntam: o que tenho de fazer para ser grande como o Magazine Luiza?". Tadeu Bretas, diretor de criação da Portal Publicidade - que tem contas como 3M e Bosch - acha que, mesmo com a evolução nessas relações, ainda há preconceito sobre a capacidade de produção das agências do interior. Isso faz com que muitas empresas busquem serviços em São Paulo. Trabalhos que, depois, acabam sendo desenvolvidos em parceria com uma agência regional, justamente por ela conhecer a cultura local. Profissionais A contratação de profissionais que estão trocando a capital pelo interior em busca de qualidade de vida, na opinião de Simone Rodrigues, sócia e diretora da Saviezza - agência que tem no portfólio contas como Dow Agrosciences, Cargill e Unilever/responsabilidade social, entre outras -, ajudam a valorizar a atividade no interior. Na equipe dela há duas publicitárias vindas da Young & Rubicam e da Leo Burnett. Há também quem tenha feito o movimento contrário e procurado parcerias no interior justamente por ter percebido que esse seria um bom caminho de crescimento na capital. Caso da agência Volume 4 que, como explica seu diretor, Ricardo Lacerda, se associou à antiga Ponto de Idéia, de Araraquara, para criar a PDI/Volume 4. "Assim, podemos atender melhor à Gas Brasiliano, que tem operação na região sudeste do Estado." Na contramão desse movimento em direção ao interior, mas atenta ao otimismo que está embalando o agronegócio, a agência Fischer América preferiu abrir um departamento para se especializar no tema, em vez de estabelecer parcerias com agências regionais, ou abrir as portas fora da capital. "Há ainda incompatibilidade entre a receita e os custos para se manter grandes estruturas como a nossa no interior", pondera o presidente da agência, Antônio Fadiga. "As companhias locais são na maioria familiares e investem pouco em comunicação."

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