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Agências tentam 'driblar' alta do dólar

Redução da margem de lucro e fixação de câmbio estão entre as estratégias para impedir a queda nas vendas de pacotes para o exterior

ANNA CAROLINA PAPP, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2013 | 02h18

O brasileiro deve continuar viajando mesmo com a alta do dólar - ao menos no que depender das agências de turismo. De redução da margem de lucro e fixação de câmbio a marketing para destinos nacionais, as empresas do setor adotam estratégias para que o alto patamar do dólar - que subiu mais de 13% em relação aos últimos 12 meses -, não afugente os clientes.

Mas, para muitos, a alta do dólar já mexeu com os planos de viagem. Mesmo com as promoções anunciadas pelas agências de viagens e com a cotação da moeda americana dando uma trégua nos últimos dias.

Não foi possível conter o aumento de preços nos destinos internacionais - os pacotes ficaram, em média, de 5% a 10% mais caros em comparação ao primeiro semestre do ano, segundo a Associação Brasileira das Agências de Viagem (Abav). Porém, as agências têm negociado com os fornecedores para tentar amortecer o repasse da alta. "Quem está interessado em viajar para o exterior vai viajar ", afirma Leonel Rossi Junior, vice-presidente de Relações Internacionais da Abav. "Apenas 6,5 milhões de brasileiros viajam para fora todos os anos, ante uma população de 200 milhões. Mas esse número tende a aumentar mesmo com o dólar alto, pois as pessoas querem viajar e as agências estão cortando lucro."

Na agência Hotel Urbano, o preço de uma viagem para Buenos Aires teve aumento de 6% nos últimos dois meses. Já o pacote para Nova York subiu 8%. Para destinos como Orlando e Miami, o maior aumento: 13,5%.

Os porcentuais seriam maiores não fosse a estratégia de cortes. "Quando o dólar começou a subir muito, batendo R$ 2,40, diminuímos nossa margem de lucro", diz José Eduardo Mendes, cofundador do Hotel Urbano. "Uma margem que antes ia de 28% a 32% hoje já está em 18%", afirma. Com isso, a queda no movimento em relação a agosto de 2012 foi de apenas 2%.

Mendes também resolveu reforçar o marketing em destinos nacionais, cujo crescimento da demanda passou a ser notável no início de julho, quando o dólar beirava os R$ 2,30. "Queremos que clientes das Regiões Sul e Sudeste, que compravam muitos pacotes para Buenos Aires, Miami e Orlando, experimentem viagens para Norte e Nordeste, por exemplo."

Alípio Camazo, presidente da Decolar.com, notou aumento de demanda por destinos domésticos em julho e leve retraída na demanda internacional. "Isso é normal em tempos de volatilidade de moeda, mas já é possível observar que as coisas estão se acomodando."

Congelamento. Outras empresas lançaram mão de promoções de câmbio fixo. Em julho, a CVC fixou o dólar a R$ 1,99 para destinos como EUA e Caribe. Como resultado, os embarques e vendas antecipadas no período cresceram 10% em relação ao mesmo período em 2012. Na sequência, a empresa emendou outra promoção: em passagens da American Airlines para embarques em 2013 e 2014, o câmbio foi fixado a R$ 2,19, quando o dólar batia R$ 2,40. Na última semana, essa cotação foi expandida a todos os pacotes. "Por sermos a maior operadora e termos grande volume de vendas, podemos negociar e oferecer câmbio fixo", diz Sandro Sant'Anna, vice-presidente de canais de vendas da CVC.

Rossi, da Abav, acredita que o que mais pode pesar no bolso são as despesas individuais durante a viagem, o que levaria os brasileiros a ter de cortar as compras de 10% a 15%.

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