Agências veem risco à nota do País com adiamento da reforma da Previdência

Agências veem risco à nota do País com adiamento da reforma da Previdência

Henrique Meirelles admitiu que há um custo de adiamento da votação, mas garantiu que há expectativa de aprovação em 2018; ministro afirmou que fará conferências com as principais agências na próxima semana

Eduardo Rodrigues e Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

14 Dezembro 2017 | 21h37

BRASÍLIA - Para tentar evitar que o adiamento da votação da reforma da Previdência leve a um novo rebaixamento da nota de rating do Brasil, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta quinta-feira, 14, que vai procurar as principais agências de classificação de risco para explicar a postergação da análise da proposta pelo Congresso.

“Vamos ligar e fazer conferências com as principais agências de rating na próxima semana. Queremos esclarecer as dúvidas e mostrar que há a possibilidade concreta de se aprovar a reforma no começo de 2018”, disse Meirelles, após reunião com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). “E, com isso, tentaremos evitar um downgrade (rebaixamento da nota do Brasil).”

As agências de classificação de risco trabalham com a concessão de ratings – notas de crédito ou classificações – a empresas, governos ou entidade que emita títulos para serem negociados no mercado. Os ratings representam a avaliação da agência sobre a capacidade do emissor dos títulos de honrar seus compromissos com investidores. Em outras palavras, o risco de o emissor da dívida dar um calote.

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Quinta-feira, 14, após a confirmação de que a votação da reforma da Previdência ficará para fevereiro, a Moody’s divulgou comentário por escrito da vice-presidente e analista sênior, Samar Maziad, que avaliou que o adiamento aumentou a possibilidade de a reforma não ser aprovada em razão da incerteza em torno das eleições presidenciais. Para a Moody’s, a falta de acordo para a votação neste ano é um “fator de crédito negativo”.

A Fitch destacou em nota que o atraso “evidencia riscos incorporados à nossa perspectiva negativa do rating BB do Brasil”. Para a agência, a janela de oportunidade para uma reforma significativa da Previdência antes da eleição está se estreitando e novos atrasos ou diluições impõem riscos para a viabilidade do limite de gastos e estabilização da dívida. Além disso, acrescenta a Fitch, tal situação representa riscos potenciais para a confiança do mercado e para o processo de recuperação econômica no curto prazo.

Meirelles admitiu que há um custo de adiamento da votação, mas garantiu que há expectativa de aprovação em 2018. “A mensagem extremamente negativa seria a não aprovação (da reforma). A não votação, de fato, positiva não é, como já temos dito há meses. Não é novidade.” /COLABROU KARLA SPOTORNO

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