Agenda comercial do Brasil foi mal entendida, diz embaixador

O embaixador do Brasil nos EUA, Rubens Barbosa, disse que a agenda do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em comércio internacional tem sido mal entendida, especialmente depois do colapso das conversações no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Cancún, no México. "Nós achamos que estamos defendendo nossos interesses de uma maneira construtiva. Não estamos no negócio de criar uma divisão Norte/Sul", afirmou Barbosa durante a Conferência Econômica do Brasil, em Nova York. Ele também fez críticas à maneira como a imprensa estrangeira tem retratado a posição brasileira. O embaixador observou que a mudança na estratégia brasileira aconteceu depois de os EUA mudarem sua própria postura, ao sugerir que questões difíceis, como os subsídios agrícolas, deveriam ser discutidos no âmbito da OMC. Proposta brasileiraA proposta brasileira é uma discussão de comércio em três faixas simultâneas: as negociações para a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) simultaneamente às conversações globais na OMC e discussões bilaterais entre os EUA e o Mercosul. "Nós queremos negociar para alcançar resultados tais como os apresentados dois anos atrás em Doha", acrescentou Barbosa. Sobre a reunião da OMC em Cancún, o embaixador disse que a formação rápida do Grupo dos 22, que inclui o Brasil, mostrou o nível de frustração entre os países em desenvolvimento. "A proposta dos EUA, em nossa opinião, ficou aquém do mandato" (estabelecido em Doha), afirmou. Apesar dessas diferenças, ressalvou o embaixador, o comércio bilateral entre Brasil e EUA deverá crescer substancialmente ao longo dos próximos dez anos. Estratégia norte-americanaFalando na mesma conferência, a embaixadora dos EUA no Brasil, Donna Hrinak, disse que a mudança na estratégia norte-americana resultou do mandato para que seu país e a União Européia tivessem uma compreensão comum sobre a questão agrícola. Segundo ela, esse acordo ficou aquém do que os EUA desejavam. Sobre os informes de que os EUA estariam voltando seu foco para acordos bilaterais, tendo em vista as dificuldades previstas para as negociações da Alca, Hrinak disse que seu país tem interesse em acelerar as conversações com países que estejam prontos para acordos de livre comércio agora, mas que isso não significa que os EUA não vão continuar a negociar com outros países. As informações são da Dow Jones.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.