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Agenda difícil desafia Lula e Cristina

Comércio de trigo, acordo automotivo e gás boliviano estão entre os temas que o brasileiro tratará em visita à Argentina

Denise Chrispim Marin, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

18 de fevereiro de 2008 | 00h00

O desafio do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de inaugurar uma agenda positiva com a nova presidente argentina, Cristina Kirchner, tende a ser dificultado por três recentes imbróglios. A visita do presidente brasileiro a Buenos Aires, no próximo dia 22, será marcada por desavenças sobre o comércio de trigo e a resistência da Argentina ao livre comércio automotivo, que começaria em julho. Os riscos de desabastecimento de energia elétrica em ambos os países no inverno serão confrontados, no dia seguinte, com a posição do governo Evo Morales, da Bolívia, que antecipou não ter capacidade de prover seus vizinhos com o volume de gás natural previsto nos contratos que firmou. O presidente Lula deverá desembarcar na noite de quinta-feira na Argentina, munido de um discurso em prol de uma agenda positiva, alicerçada no crescimento de 169% no comércio bilateral desde 2003. Esse esforço tenderá a ser correspondido por Cristina Kirchner, apesar de seu país ter caído do segundo para o terceiro lugar entre os principais provedores de bens ao Brasil. Cristina Kirchner e Lula deverão exibir à imprensa acordos de cooperação nas áreas nuclear e militar - que prevê a construção conjunta do veículo blindado Gaúcho - e uma certa proximidade colhida dos encontros oficiais anteriores. Ambos já acertaram a realização de uma reunião semestral para tratar de divergências e para aprofundar a relação dos dois países. Mas não conseguirão fugir dos dilemas que assombram os interesses nacionais. O mais sensível será decidir qual dos países - Argentina, Brasil e Bolívia - racionará eletricidade neste inverno. Na última quarta-feira, em Brasília, o vice-presidente boliviano, Álvaro García-Linera, avisou que seu país não terá condições de remeter o volume máximo de gás previsto nos contratos com o Brasil - de 30 milhões de metros cúbicos ao dia - e com a Argentina, de 7,7 milhões. Sugeriu que, para elevar o envio ao mercado argentino, precisaria de redução voluntária da demanda da Petrobrás. ALIANÇAA aliança entre Bolívia e Argentina, no encontro do dia 23, é considerada inevitável. Um possível acordo trilateral, portanto, dependeria da desconsideração da avaliação técnica e de concessões políticas do governo Lula que podem afetar a capacidade de atendimento da demanda nacional de energia nos próximos meses. Na última quinta-feira, a Petrobrás avisou que não abrirá mão de solicitar o volume máximo de gás à Bolívia. "Nossas relações com a Argentina nunca estiveram melhores", afirmou ao Estado o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia. "Para quem aposta que haverá apagão, essa questão é um prato cheio. Assim como no ano passado, vamos resolver o problema neste ano." Além desse impasse, os argentinos queixam-se da redução da tarifa de importação de 10% para zero para uma cota de 1 milhão de toneladas de trigo, válida até o dia 30 de junho. A medida foi tomada logo depois de a Argentina ter liberado as exportações de 3 milhões de toneladas ao mercado brasileiro. O Brasil, entretanto, insistiu em que essa quantidade não seria suficiente para eliminar o risco de desabastecimento e manteve a cota, que beneficiará produtores do Canadá e dos Estados Unidos. Na área automotiva, a previsão de livre comércio a partir de julho, como estava estabelecido no acordo bilateral em vigor, mais uma vez foi abortada pelos argentinos. O Brasil espera a livre troca de bens do setor desde o fim de 1999. Uma vez mais, deverá insistir para a renovação do atual acordo por cerca de 18 meses - período no qual tentaria negociar um sistema mais sofisticado de atração de investimentos.

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