Agnelli diz que China não terá tratamento especial

Vale fechou preço do minério com vários clientes, mas aguarda negociação com chineses

Kelly Lima e Mônica Ciarelli, RIO, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2009 | 00h00

Em meio a uma das mais duras e longas negociações do preço do minério de ferro, o presidente da Vale, Roger Agnelli, indicou ontem que não pretende dar tratamento diferenciado para a China, maior mercado consumidor do produto brasileiro. Este mês, a companhia acertou com siderúrgicas da Europa, Japão e Coreia do Sul uma queda entre 28,2% e 44% para o preço de fornecimento do insumo em contratos de longo prazo."Esse é o preço que entendemos ser o benchmark (referência) para quem quiser continuar com contrato de longo prazo", disse. "Já acertamos com a Ásia como um todo, com a Arcelor Mittal, nosso maior cliente, e temos conversado com nossos clientes na China." No primeiro trimestre, a China absorveu 66% do minério de ferro vendido pela companhia brasileira. Segundo Agnelli, a demora na definição de acordos com os clientes chineses é reflexo da mudança no processo de negociação, com o surgimento de propostas como a criação de índices de preços similares aos utilizados nos contratos de diversos metais e do petróleo. "Queremos é chegar a bom termo com nossos clientes. O processo, que era relativamente rápido e tranquilo, ganhou um pouco mais de agito", disse ele, sem demonstrar pressa em fechar acordo com os chineses. "O timing é deles. Eles são os clientes, nós temos de respeitar." Agnelli voltou a defender o benchmark como melhor sistema para precificação do mercado de minério de ferro. Mas revelou que a Vale está preparada para se ajustar às mudanças recentes, como o aumento das vendas no mercado à vista.Além de ampliar sua frota de navios para 25 grandes graneleiros, a Vale pretende construir centros de distribuição na Ásia e no Oriente Médio. A intenção é diminuir a desvantagem logística em relação aos concorrentes australianos. Uma viagem do Brasil para a Ásia leva, em média, 45 dias, enquanto da Austrália para a região é de 10 a 15 dias. "Se existe estratégia diferente do cliente, se ele quiser ir para o mercado spot (à vista), vamos fornecer no mercado spot. O fato é o seguinte: faltar minério para a China é que não vamos deixar", afirmou. Para ele, uma adesão integral da China ao mercado à vista está descartada. "Talvez no curto prazo faça sentido, mas no médio e longo prazos viraria um inferno a questão do preço."Agnelli negou rumores de que a Vale teria voltado a olhar com interesse a mineradora anglo suíça Xstrata, que ano passado foi alvo de oferta pela Vale.

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