Agnelli diz que Vale negocia preço do minério com cada cliente

Presidente da Vale não revelou qual patamar de reajuste vem sendo conversado com as siderúrgicas chinesas

Raquel Massote, da Agência Estado,

19 de março de 2010 | 13h26

O presidente da Vale, Roger Agnelli, disse há pouco que a companhia ainda negocia com cada cliente o reajuste nos preços de referência do minério de ferro para 2010. Apesar de a Associação do Ferro e do Aço da China (Cisa, na sigla em inglês) ter informado que a mineradora pediu às siderúrgicas chinesas um aumento de 90% a 100%, Agnelli não revelou qual patamar de reajuste vem sendo negociado.

 

De acordo com Agnelli, o que a Vale tem argumentado é que a demanda pelo produto está muito forte e continuará assim pelos próximos três ou quatro anos e, por outro lado, a produção não tem acompanhado a demanda. Agnelli reiterou, no entanto, que a mineradora não tem característica de sair da mesa de negociação. "Vamos ter aumento de preço, sim, assim como o preço do carvão e do aço já vêm subindo", afirmou.

 

Segundo o presidente da Vale, o modelo de negociação que vem sendo proposto pela companhia inclui flutuações de preços trimestrais ou semestrais. Agnelli enfatizou, no entanto, que a Vale ainda não chegou ao final dessa negociação com as siderúrgicas.

 

Nas conversas que vêm sendo travadas com os clientes, segundo Agnelli, a Vale tem dito que não dá haver uma distorção tão grande entre os preços praticados no mercado à vista e os contratos de longo prazo. "Não faz sentido vender com desconto alguma coisa que no mercado à vista tem o preço maior." Segundo o executivo, a companhia tem argumentado ainda que há uma série de fatores que poderão levar a um reajuste de preços "importante", entre eles câmbio, frete e demanda. "A gente tem que trazer a realidade da nossa produção à realidade de mercado", disse, ressaltando que não chegou a ver a declaração dada hoje pela Cisa.

 

Belo Monte

 

Agnelli afirmou ainda que a Vale ainda não definiu a participação que terá no consórcio para disputar o leilão da usina de Belo Monte, no Rio Xingu, Pará. De acordo com ele, a mineradora ainda está estudando os detalhes de engenharia do projeto. "Nossa vontade é de participar, se houver viabilidade econômica e se a tarifa for compatível com a necessidade da companhia."

 

O presidente da Vale participou hoje, ao lado do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, do pré-lançamento do Memorial Minas Gerais Vale. O espaço, que integra o circuito cultural Praça da Liberdade, receberá investimentos de R$ 23 milhões por parte da companhia e será instalado no antigo prédio da Secretaria de Estado da Fazenda. O Memorial deverá ser aberto ao público no segundo semestre deste ano.

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