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Agora, é fazer acontecer

O que poderá dar legitimidade ao governo do presidente em exercício, Michel Temer, é a percepção de uma reviravolta para melhor da política econômica

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2016 | 21h00

Se a principal explicação para o sucesso de instauração do processo de impeachment foram os desastres produzidos pela política econômica, o inverso também é verdadeiro. O que poderá dar legitimidade ao governo do presidente em exercício, Michel Temer, é a percepção de uma reviravolta para melhor da política econômica.

(Antes de seguir adiante, convém pontuar que o termo legitimidade deve ser tomado aqui no sentido técnico, e não na acepção popular, que seria algo feito de acordo com a lei. Legitimidade em Ciência Política é a capacidade que uma autoridade tem de obter a obediência dos seus comandados sem recorrer a ameaças ou à força bruta.)

 

A necessidade de que a gestão Temer dê certo pode decorrer da exigência do número mínimo de votos necessários para cassar o mandato da presidente Dilma no Senado. É necessário o voto de condenação de dois terços dos 81 senadores, ou 54 votos. Votaram pela admissibilidade do processo 55 senadores. Bastaria que a presidente afastada conseguisse reverter apenas dois desses votos para que o impeachment fosse rejeitado.

Os desafios do novo governo são imensos - os comentaristas são unânimes em reconhecer - e não cabe aqui enumerá-los. Mas os estragos produzidos pela política econômica equivocada do governo Dilma são tão grandes, que não será preciso ser um gênio em política e em economia para melhorar o que está aí.

 

Pelas votações obtidas na Câmara e no Senado pela admissibilidade do processo do impeachment e também pelo clamor das ruas, parece claro que, na partida, o novo governo Temer conta com amplo apoio político. Mas para manter esse apoio terá de mostrar serviço - e terá menos de 180 dias para isso.

Não parece necessário que nesse intervalo consiga reverter o maior problema econômico, que é o estado lastimável das contas públicas. Basta, nesse caso, que a população sinta que as escolhas foram corretas, que haja rumo e mão firme na condução da economia. Em outras palavras, nesta arrancada, o sucesso depende de quanto o novo governo consegue despertar confiança.

A escolha do comando da área econômica chega carregada de credibilidade. O novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já demonstrou que não é dado a invencionices nem a voluntarismos temerários em matéria de política econômica, como os que caracterizaram o período Dilma. Seu objetivo declarado é o de dar força aos fundamentos e de procurar o crescimento sustentado, sem o que não haverá condições de adotar nenhuma política econômica, seja qual for a orientação.

Não vai ser agora que o PT poderá alegar que Meirelles não serve, porque, além de ter passado oito anos à frente do Banco Central nos dois primeiros governos do PT, foi por diversas vezes indicado para o posto pelo ex-presidente Lula.

Enfim, a hora é de enfrentar o rombo fiscal e de encaminhar as reformas, quase sempre fortemente impopulares, como serão as da Previdência e das leis trabalhistas.

CONFIRA:

O setor de serviços pesa 70% no PIB. Quando seu desempenho é ruim, como nos últimos meses, o desempenho do PIB também é prejudicado.

O discurso do golpe

O principal vício lógico do discurso do golpe, tal como reafirmado pela presidente afastada, é o de que a defesa e os políticos de sua base participaram de todos os níveis de decisão com o objetivo de reverter a situação e foram considerados fóruns legítimos. Se tivessem conseguido derrubar o processo, a decisão também seria considerada ilegítima? Enfim, as instituições são ou não são confiáveis?

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