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E-Investidor: Itaúsa, Petrobras e Via Varejo são as ações queridinhas do brasileiro

Agora é oficial: a Molson compra a Kaiser por US$ 765 milhões

O presidente mundial e principal executivo (CEO) da cervejaria canadense Molson Inc., Dan O´Neill anunciou nesta segunda-feira a aquisição integral da brasileira Cervejaria Kaiser por US$ 765 milhões, dos quais US$ 150 milhões serão pagos com o equivalente a 6,1% das ações da companhia canadense, que passa a ser a 14ª do mundo no mercado de cervejas e a segunda do Brasil. Na outra ponta da mesma negociação envolvendo a Kaiser, a alemã Heineken, que detinha 14,2% da cervejaria brasileira, pagou US$ 220 milhões para ficar com uma participação de 20% da nova empresa, que passa a reunir a Kaiser e a Bavaria, marca que a Molson comprou da AmBev há dois anos, ao entrar no País. A nova empresa está avaliada, portanto, em US$ 1,2 bilhão e terá como sede São Paulo. Até então, com Bavaria, os negócios da Molson estavam sediados no Rio de Janeiro. Com a aquisição, a Molson passa a deter 17,8% do mercado brasileiro de cerveja. A Bavaria tinha modestos 3,1%. O canadense O´Neill disse que está confiante na aprovação do negócio pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Em Brasília, o secretário de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda, Claudio Considera, afirmou à Agência Estado que, "em princípio", não identificou problemas de concentração na compra da Kaiser pela canadense Molson. "O nível de concentração é muito baixo", disse. O negócio foi costurado e acompanhado pelo escritório de advocacia Motta, Fernandes e Rocha, tendo à frente Luiz Leonardo Cantidiano. Demonstrando habilidade com a língua portuguesa, O´Neill disse estar confiante de que, em cinco anos, a Kaiser passe a ser a segunda marca mais consumida no País - hoje é a terceira perdendo para Skol e Brahma, mas à frente da Antarctica. O Brasil, aposta, tem tudo para sair da quarta posição no consumo mundial de cerveja, ultrapassando a Alemanha. Para isso, ele contará com a rede de distribuição dos fabricantes de Coca-Cola. A multinacional, que detinha 10% do negócio, sai definitivamente do mercado de bebida alcóolica. O Brasil, aliás, terceiro mercado mundial da Coca-Cola depois de Estados Unidos e México, era o único país do mundo onde a empresa mantinha negócio nessa área. O´Neill disse ter a garantia, por 20 anos, de que os engarrafadores e distribuidores de Coca-Cola continuarão a distribuir o produto. Pelo acordo com a AmBev para a aquisição da Bavaria, a Molson ainda dispõe de três anos de distribuição do produto por esta rede, mas O´Neill disse que o negócio pode ser revisto. Ou seja, a tendência é a de que Bavaria passe a ser distribuída pelo sistema Coca-Cola. O dinheiro para a aquisição da Kaiser entrou hoje no País, segundo O´Neill, e do total de US$ 765 milhões, US$ 190 milhões saíram do caixa da Molson e o restante de créditos bancários. Segundo ele, a cervejaria, que só tem negócios no Canadá, Estados Unidos e Brasil, levou em conta na aquisição uma relação de oito critérios. Ele fez questão de citá-los para justificar o negócio. Os principais são a existência de marca forte, rede de distribuição consolidada, foco numa marca principal, posicionamento no mercado premium, e, é claro, lucratividade. A Kaiser, segundo O´Neill, reunia todos os critérios considerados essenciais para o fechamento do negócio.

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