Agora francesa, GVT vai competir pelo Brasil inteiro

Agora francesa, GVT vai competir pelo Brasil inteiro

Planos da operadora depois da venda para Vivendi incluem Rio e São Paulo, TV por assinatura e telefone móvel de quarta geração

Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2010 | 00h00

A culpa pela criação da GVT foi, de certa forma, da concorrente Oi. O grupo de investidores do qual faz parte o executivo israelense Amos Genish, presidente da GVT, tinha uma operação de telefonia via satélite em outros países da América Latina, chamada Global Village Telecom, e foi convidado para vir ao Brasil em 1999, porque a Oi (então chamada Telemar) procurava uma maneira mais econômica de atender aos compromissos contratuais de instalar telefones nas regiões Norte e Nordeste.

Genish conversou com representantes da Inepar, que era um dos controladores da Oi, e ficou sabendo de uma licença de telefonia fixa para a chamada região dois, que compreende o Distrito Federal e os Estados do Acre, Rondônia, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

"Nós rapidamente percebemos que o nível de serviço de telefonia no Brasil, em 1999, era realmente ruim", disse Genish, de 49 anos. "Era óbvio que havia mercado. As pessoas esperavam meses para conseguir uma linha. Eu nem precisava contratar uma consultoria para fazer um estudo. Era só vir para o Brasil e conversar com as pessoas para saber isso."

Depois dessa conversa, Genish decidiu participar da concorrência em sociedade com a Inepar, que acabou desistindo três dias antes do leilão. "Provavelmente, a Anatel havia dito à Inepar que eles não poderiam participar, porque já estavam na Telemar", contou Genish. Mesmo sem conhecer o Brasil, a GVT resolveu ir em frente, e acabou levando a licença por R$ 100 mil, com uma oferta melhor que a da Vésper, que já operava no restante do País como concorrente da Oi e da Telefônica.

Muita coisa mudou no mercado brasileiro de telecomunicações desde então. A Oi comprou a Brasil Telecom, formando uma empresa que opera telefonia fixa em todos os Estados, menos São Paulo. A Vésper, depois de passar por uma crise profunda, foi comprada pela Embratel. A GVT ampliou sua área de atuação, atacando cidades fora dos Estados em que começou a atuar, como Salvador. Apesar de ainda ser pequena em comparação com suas concorrentes (ou até por isso), a GVT é a empresa brasileira de telecomunicações com crescimento mais acelerado.

Expansão. No fim do ano passado, o controle da GVT foi alvo de uma disputa entre a francesa Vivendi e a espanhola Telefônica. Os franceses levaram a melhor. Com os bolsos cheios, a GVT resolveu acelerar sua expansão e enfrenta agora o seu maior desafio, de atuar em todo o País.

Os planos da companhia são ambiciosos. Este ano, querem lançar uma operação no Rio de Janeiro (o presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, chegou a falar a este jornal que receberá a GVT com "honras militares"). Em 2011, será a vez de São Paulo, e de lançar um novo serviço, a TV paga. Para 2012, a expectativa é comprar uma licença de telefonia celular de quarta geração. Atualmente, a GVT só vende telefone fixo e banda larga.

"Quero transformar a GVT numa operadora nacional", afirmou Genish, numa entrevista em inglês no escritório da companhia em São Paulo. Apesar de estar no Brasil desde 1999, e de conversar bem em português, o executivo ainda prefere falar em inglês em ocasiões em que precisa ser bastante preciso, como em interações com a imprensa.

"As pessoas sempre falavam comigo em inglês", contou Genish. "Daí, em 2005, 2006, resolvi que tinha que aprender português." A partir dessa época, ele pediu que as pessoas passassem a falar com ele em português. No ano passado, Genish fez a primeira apresentação na língua local a funcionários da GVT.

A trajetória de uma sobrevivente

1999

A Anatel vende a licença para GVT

2005

Empresa lança voz via internet

2007

Operadora abre o capital

2009

Vivendi compra a GVT

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