Agora, governo só vê retomada no fim do ano

Equipe econômica refaz as contas e acredita em crescimento forte apenas entre outubro e dezembro; expansão no ano seria de, no máximo, 0,5%

Edna Simão, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2009 | 00h00

Mesmo tendo sido surpreendido favoravelmente com o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre (que mostrou retração menor do que se esperava), o governo refez as contas e agora aposta numa forte aceleração da economia somente entre outubro e dezembro para conseguir fechar 2009 com um número positivo. Pelos cálculos da equipe econômica, ainda é possível o País ter uma expansão de 5% no quarto trimestre na comparação com o mesmo período de 2008, o que daria condições de o PIB anual ficar entre zero e 0,5%. Até há pouco tempo, o governo esperava uma forte retomada já a partir de julho. A agressiva recuperação, conforme cenário da equipe econômica, será puxada pelo programa "Minha Casa, Minha Vida". Também impulsionarão a atividade os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), principalmente os da Petrobrás, e a volta do crédito. "Existe grande probabilidade de crescimento positivo", afirmou uma fonte graduada do governo. Mas, continuou, atingir a marca de 1%, definida pela própria equipe econômica, será bem mais difícil. Hoje, o Banco Central divulga o Relatório Trimestral de Inflação e a expectativa é de que o BC diminua sua previsão de crescimento deste ano de 1,2% para algo entre 0,3% e 0,5%. Por enquanto, segundo cenário do Ministério da Fazenda, o PIB deve ficar negativo em 1% no segundo e terceiro trimestres em relação a 2008. No primeiro trimestre, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia teve recuo de 1,8%.O quadro, no entanto, seria revertido nos últimos três meses do ano com o crescimento 5%. A avaliação é de que apenas no quarto trimestre será possível começar a colher os frutos do programa habitacional "Minha Casa, Minha Vida". Os investimentos do PAC também deverão ser mantidos mesmo com a queda na arrecadação, o que deixará o governo com uma margem mais apertada para novos gastos. Somente a Petrobrás contribuiria com 0,3% do PIB nos últimos três meses do ano. Outro fator destacado é que o crédito está voltando gradualmente e, portanto, sustentará o consumo das famílias no segundo semestre. Se confirmadas essas projeções oficiais, o crescimento do ano ficará em 0,3%, segundo cálculo feito por analistas do mercado financeiro. O valor ainda está abaixo do 1% esperado pelos ministérios da Fazenda e Planejamento. Mas o crescimento mais próximo de zero do que de 1% é considerado mais realista pelos analistas. A expansão de 5% no quarto trimestre é vista com cautela. O economista-chefe do BES Investimento, Jankiel Santos, está revisando para baixo a projeção do PIB deste ano, prevista até agora em 1%. "Está havendo uma recuperação da economia num ritmo bem mais brando do que esperávamos." Para ele, medidas paliativas como desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos veículos e geladeiras já tiveram impacto na atividade e, daqui para frente, os efeitos serão limitados na aceleração do crescimento. O economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, já revisou suas projeções. Antes, esperava um recuo do PIB de 0,5%. Agora, trabalha com queda de 0,1%. "Acho que é um pouco forte demais crescer 5% no último trimestre. Mas ter uma projeção de PIB anual mais próximo de zero é bem mais factível." O economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, estima um PIB negativo de 1% para 2009, mesmo com a retomada mais forte no segundo semestre. Ele prevê um recuo de 2% e 2,5% no segundo e terceiro trimestres, respectivamente, na comparação com o ano anterior. De outubro a dezembro, Newton projeta uma expansão econômica de 2,5% em relação ao mesmo período de 2008. "Não me surpreenderia se o PIB se mostrar melhor do que o que estou projetando.""Pode haver uma surpresa do consumo no segundo semestre. O que pode estragar a festa é a continuidade da queda dos investimentos", ressaltou Rosa.

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