Agora, mercado prevê juro básico estável até o fim do ano

Focus aponta que analistas deixaram de acreditar em alta da Selic em setembro; taxa atual, de 10,75%, deve seguir

Fernando Nakagawa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2010 | 00h00

A inflação mais branda e sinais de que a atividade desacelerou mudaram a aposta do mercado para o juro básico, a Selic. Analistas deixaram de acreditar em alta em setembro e passaram a prever taxa estável nos atuais 10,75% até o fim do ano. Mas, a despeito da tranquilidade de curto prazo, continua a expectativa de que o Banco Central terá de voltar a elevar o juro em 2011 porque a inflação vai ganhar força. Na pesquisa semanal Focus, a estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no próximo ano subiu de 4,80% para 4,86%, na primeira alta após 18 semanas de estabilidade.

A expectativa de juro estável na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 1º de setembro acontece dias depois de os preços surpreenderem o mercado, mais uma vez, para baixo. O IPCA-15, que é uma prévia do índice oficial de preço, marcou deflação de 0,05% em agosto.

O número veio abaixo de todas as expectativas, que oscilavam de alta de 0,16% a recuo de 0,03%. "A inflação realmente surpreendeu todo mundo. Inicialmente, o mercado acreditava que essa acomodação era momentânea, mas o movimento está se estendendo", diz o economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa.

Além dos preços em queda, economistas chamam a atenção para sinais de que a atividade está se acomodando. Em julho, o Brasil criou, por exemplo, 181,7 mil empregos formais. O resultado foi o mais baixo desde janeiro e a terceira queda seguida desde o pico de abril, quando o País gerou 305 mil vagas.

"Os números refletem o desempenho positivo da atividade, mas sem indicar excessos ou superaquecimento. Após a recuperação acentuada do 1º trimestre, houve clara acomodação", diz o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, que prevê juro estável na próxima semana.

Deterioração. Mas o cenário não é tão azul se a perspectiva for de médio prazo. Na pesquisa, a previsão para o IPCA em 2011 subiu pela primeira vez desde abril e se afastou ainda mais do centro da meta, de 4,50%.

"Uma parcela expressiva do mercado não concorda com o fim do aperto monetário no atual patamar da Selic e entende que isso levará a uma inflação acima do centro em 2011. Concordamos com a visão, e projetamos IPCA de 5,2% em 2011 com os sinais prematuros de fim do aperto monetário", diz o analista da Tendências Consultoria, Bernardo Wjuniski, em relatório.

Várias inflações

4,86% é estimativa da pesquisa Focus para o IPCA no próximo ano

5,2%é a expectativa de IPCA para o próximo ano da Tendências

- 0,05% foi a prévia do IPCA para agosto

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