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'Agora, quero ser dono'

Entre os planos do ex-presidente da Vale está o de montar um fundo ou uma gestora de recursos

David Friedlander, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2011 | 00h00

Durante os próximos doze meses, Roger Agnelli não poderá aceitar emprego em concorrentes da Vale. A quarentena, acertada no pacote de saída do executivo, o afasta temporariamente de empresas de mineração, logística e siderurgia. Depois de um ano, Agnelli estará livre. Mas ele tem dito aos amigos que, no momento, tem vontade de montar um negócio próprio. Talvez um fundo de private equity (para investir em empresas) ou uma gestora de recursos.

"Quero ser dono, não sei se ainda quero trabalhar para os outros. Mas ainda não estou certo do que vou fazer. Primeiro vou tirar férias", disse Agnelli ontem, ao final de um encontro em que se despediu de diretores e colaboradores que o acompanharam durante quase uma década na Vale.

Desde que sua saída da mineradora foi confirmada, cerca de um mês atrás, o executivo recebeu as mais diferentes propostas: além de sondagens de grandes companhias do Brasil e do exterior, ele foi procurado por pessoas interessadas em tê-lo como sócio em firmas de investimento e foi abordado mais de uma vez com a ideia de entrar na política. "Isso não é para mim, não tem nada disso", afirmou ele.

Agnelli diz que só pretende definir seu futuro profissional no segundo semestre, depois de passar pelo menos um mês em férias com a esposa, Andréa. O casal embarca para a Itália em junho. Além de refrescar a cabeça para esquecer o bombardeio que Agnelli sofreu do governo até sair da mineradora, eles querem aprender italiano. Andréa já encontrou um professor para tomar aulas na Itália.

Pessoas próximas a Agnelli acham difícil que ele fique muito tempo longe de um posto que lhe dê projeção no mundo empresarial e contam que, enquanto esteve na Vale, recebeu mais de uma proposta de concorrentes da mineradora brasileira. "Ele é muito agitado, gosta de desafios, quer competir, precisa ter muita gente para dar ordens", descreve um colega.

Andréa também está esperando para conferir. "Ele está meio cansado dessa vida de executivo, acho que vai mesmo montar algo. Mas sabe como o Roger é, está sempre pensando grande".

Contrato. Nem Agnelli nem a Vale falam do assunto, mas a rescisão do contrato do executivo, que ia até dezembro do ano que vem, deve render uma indenização de algumas dezenas de milhões de reais, segundo especialistas da área de recursos humanos. Principalmente depois dos resultados da Vale no ano passado, quando a companhia atingiu um lucro de R$ 30 bilhões, o maior da história da mineração.

Um dos executivos mais bem pagos do País, Agnelli vai continuar trabalhando, mas seus amigos dizem que, depois de 31 anos entre Bradesco e Vale, ele já está com a vida ganha. A princípio, pretende continuar morando no Rio de Janeiro, onde passa a maior parte do tempo, mas viajando com frequência a São Paulo, onde também tem residência montada.

Seu lazer fica na casa e no barco de 68 pés que tem em Angra dos Reis. Ele também é dono de um avião turboélice, comprado anos atrás para movimentar a família entre São Paulo, Rio e Angra.

Na despedida de ontem, Agnelli disse que saía da Vale feliz, tranquilo, com o dever cumprido. "Eu amo a Vale."

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