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O otimismo com a economia aumentou depois que o BCl começou a reduzir a taxa Selic

Fábio Alves*, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2019 | 04h00

Após o ministro da Economia, Paulo Guedes, pedir paciência até que a agenda de reformas do governo Bolsonaro consiga surtir efeito e impulsionar maior expansão do Produto Interno Bruto (PIB), os analistas esperam que a atividade econômica finalmente ganhe fôlego mais forte neste último trimestre de 2019 e comece o ano que vem em um ritmo acelerado.

Mas irá esse crescimento nos últimos três meses do ano acontecer em velocidade suficiente para o brasileiro sentir que o pior ficou para trás e dar um voto de confiança ao governo?

É bom lembrar que o PIB do segundo trimestre surpreendeu a todos ao registrar um crescimento de 0,4% sobre o primeiro trimestre, quando a economia havia recuado 0,1% ante o trimestre anterior. O resultado do terceiro trimestre só será divulgado pelo IBGE em dezembro, mas a maioria das estimativas de analistas aponta para uma leve expansão de 0,2%.

“O pior momento da atividade econômica foi no primeiro trimestre deste ano. De lá pra cá, já há sinais de recuperação, embora em ritmo moderado”, diz o economista-chefe do Haitong Banco de Investimento Brasil, Flávio Serrano.

Ele espera um crescimento de 0,6% do PIB no quarto trimestre em comparação com o terceiro. “Teremos os efeitos defasados de política monetária, inflação baixa – favorecendo o rendimento médio real – e os impulsos temporários do FGTS no consumo das famílias”, explica Serrano. Ele espera que a economia brasileira cresça a uma taxa anualizada próxima a 2,5% nos próximos trimestres.

O otimismo em relação ao desempenho da economia, especialmente em 2020, aumentou depois que o Banco Central começou a reduzir a Selic e sinalizou um ciclo mais profundo de corte de juros na última reunião do Copom. Desde então, o consenso das apostas de analistas já aponta para uma Selic a 4,75% no fim deste ano, mas há quem espere juros a 4,50% e até a 4,0%.

Por enquanto, essa expectativa de estímulo monetário mais agressivo ainda não se refletiu nas projeções de PIB para 2020. Conforme a pesquisa Focus, do BC, a economia deve crescer 2,0% no ano que vem. Como o BC começou a cortar os juros apenas em julho e a política monetária tem defasagem de seis a nove meses para afetar a economia, o maior impacto das decisões do Copom acontecerá apenas ao longo do ano que vem.

“A recuperação desde o fundo do poço tem sido sustentada pela retomada gradual do consumo das famílias, mas esperamos que uma melhora nos investimentos venha como fator adicional a dar mais sustentabilidade ao crescimento”, diz o economista-chefe da BlueLine Asset Management, Fabio Akira. Ele prevê uma expansão de 0,5% entre outubro e dezembro e que a partir de então o PIB tenha um ritmo médio de crescimento anualizado de 2,0% a 2,5%.

Poderá esse ritmo de crescimento da economia reduzir o desemprego, que, no trimestre encerrado em agosto, estava em 11,8% e atingia 12,6 milhões de brasileiros?

“O crescimento mais acelerado deverá contribuir com a queda do desemprego, mas esperamos que a queda da ociosidade da economia aconteça em ritmo bastante moderado”, diz Flávio Serrano, do Haitong. Ele espera uma taxa média de desemprego próxima a 10% no final de 2020.

Para Akira, já é possível observar melhora no mercado de trabalho, marcada principalmente pelo emprego informal e pelo aumento da taxa de participação – mais pessoas ingressando ou retornando à força de trabalho.

“Esse processo deve continuar, mas com uma melhora qualitativa na geração de empregos”, explica Akira. “Essa melhora qualitativa deveria resultar em recuperação também do rendimento médio real por trabalhador, indicador que atualmente ainda está em posição fraca.”

Se um otimismo com a melhora da atividade econômica a partir deste trimestre é visível, ainda existem riscos a esse cenário, especialmente se houver deterioração do ambiente externo, caso haja, por exemplo, uma escalada da guerra comercial entre EUA e China ou que a desaceleração em curso na economia mundial descambe para uma recessão.

Do ponto de vista doméstico, se houver novos ruídos ou atrasos demasiados na tramitação de reformas importantes, como a tributária e a da Previdência, a confiança de empresários e consumidores pode recuar. E, com isso, impedir que a economia brasileira decole de vez. 

*COLUNISTA DO BROADCAST

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