Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

‘Agora, vendo brigadeiros’

Adriana Regina Lima, técnica de laboratório desempregada, começou a trabalhar por conta própria

Márcia de Chiara, O Estado de S.Paulo

28 Julho 2017 | 22h01

“Por causa da crise, em maio, fui demitida de uma indústria que importava produtos cosméticos. Eu trabalhava como técnica de laboratório. Estou procurando uma vaga, mas está complicado. Até agora só fiz uma entrevista para uma vaga na minha área. Já perdi a conta de quantos currículos distribuí pela internet.

Há um mês, comecei a fazer brigadeiros gourmet para vender. Comecei vendendo para conhecidos, em empresas. Pretendo criar um site na internet para mostrar os produtos. É produto diferente, então você consegue vender.

Não dá para ficar de braços cruzados, esperando as coisas caírem do céu. Não tenho ideia de quanto vou conseguir tirar com a venda de brigadeiros. Mas ajuda. O dinheiro da indenização que recebi acabou.

Tenho de arrumar um emprego logo. Meu marido está desempregado, está no Uber. Ele trabalhava numa empresa como auxiliar de compras e foi demitido em março. Quando estávamos empregados, a nossa renda familiar era de R$ 5 mil por mês. Eu ganhava R$ 2 mil. Dava para pagar tudo. Agora estamos comprando um apartamento e o meu nível de dívida aumentou.

Dívidas em atraso eu não tenho, mas reduzi muito os gastos. Cortei transporte escolar da minha filha e várias coisas supérfluas, como cinema, passeio, restaurante. Mantive apenas gasto básico.

+ INFORMALIDADE AJUDA A DERRUBAR O DESEMPREGO

Não senti melhora do mercado de trabalho. Já estive desempregada outras vezes e nunca fiquei mais de um ou dois meses, no máximo, sem emprego. Sempre havia entrevistas e a possibilidade de se escolher onde trabalhar. Hoje eu não estou sentindo essa possibilidade. Acho que enquanto houver essa crise política, o mercado de trabalho não vai melhorar porque o empresário não vai investir num país que está indefinido.

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