Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

'Agradeço ao Senado a aprovação da independência do BC', diz Campos Neto

No projeto aprovado pelos senadores, a autarquia terá como uma de suas responsabilidade a criação de medidas para o crescimento e manutenção do emprego no País

Francisco Carlos de Assis e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2020 | 21h16

SÃO PAULO e BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, aproveitou sua participação numa live do Instituto ProPague nesta quinta-feira, 5, para agradecer ao Senado a aprovação da independência da autarquia. “Agradeço ao Senado a aprovação da independência do Banco Central, mas o que precisa ser preservado é a meta de inflação”, complementou o banqueiro.

No bojo da proposta de independência do BC, está também a responsabilidade de assumir medidas para o crescimento e manutenção do emprego. Campos Neto diz entender que há poucas ferramentas para atuar no emprego, mas fez questão de enfatizar que a falta de controle da inflação acaba por gerar mais desemprego.

“Alguns BCs do mundo colocaram emprego em seus mandatos primários. Mas preferimos a expressão ‘fomentar’ emprego como objetivo secundário. Ganho de autonomia do BC é maior do que prejuízo de interpretação do texto”, disse, acrescentando que a autonomia do BC está bem encaminhada na Câmara dos Deputados.

Campos Neto disse também durante a live que, se as reformas passarem no Congresso Nacional, isso será reconhecido pelo mercado. 

Teto de gastos

Defensor do teto de gastos, Campos Neto, chamou hoje a atenção para o fato de que há, segundo ele, formas de estar dentro do teto e piorando a trajetória da dívida. No entanto, ele citou algumas decisões que podem piorar a trajetória da dívida mesmo estando dentro do teto de gastos.    

"Adiar pagamento de dívidas permite cumprir o teto, mas piora a trajetória da dívida", exemplificou o banqueiro central, para quem o BC precisa comunicar que olha o teto de gastos e as formas criativas para se elevar os gastos e que, se a trajetória da dívida piorar, mesmo com o teto, a autoridade monetária vai considerar isso como um rompimento.

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