Agricultores dão trégua a Cristina

Sindicatos dizem ter encontrado soluções parciais para os conflitos

EFE, O Estadao de S.Paulo

25 de fevereiro de 2009 | 00h00

O governo e os sindicatos patronais rurais da Argentina retomaram ontem o diálogo, após sete meses de estagnação, e alcançaram "soluções parciais" para alguns dos problemas que afetam o setor. A questão dos impostos sobre as exportações de grãos, no entanto, estopim de um extenso conflito no ano passado, não foi tratada. Apesar de as entidades agrárias terem reconhecido "a vontade de diálogo" do Governo de Cristina Kirchner, consideram que os avanços obtidos "estão longe de atingir as expectativas". "De um a dez pontos, estamos em quatro, mas pelo menos começamos a dialogar", afirmou Eduardo Buzzi, presidente da Federação Agrária Argentina, uma das quatro entidades que representam cerca de 290 mil produtores. Entre os avanços, o dirigente ressalta a eliminação dos impostos sobre exportações de lácteos e redução à metade dos que incidem sobre produtos de economias regionais.Além disso, decidiu conceder subsídios à criação de boi e medidas em favor do setor do trigo. Buzzi destacou que os dois lados iniciaram um "recesso" até "terça ou quarta-feira" que vem e insistiu em que o diálogo foi "tranquilo, construtivo e com disposição de buscar soluções". "Em duas ou três horas não é possível resolver quatro ou cinco anos de conflitos", afirmou. Além de Buzzi, participaram da reunião os dirigentes da Sociedade Rural Argentina, Hugo Biolcati; das Confederações Rurais Argentinas, Mario Llambías; e da Coninagro, Carlos Garetto. Os representantes do governo argentino foram os ministros do Interior, Florencio Randazzo, e da Produção, Débora Giorgi, assim como o secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca, Carlos Cheppi. O encontro ocorreu horas depois que as entidades rurais encerraram uma greve de quatro dias - a sexta desde que o conflito começou e a primeira deste ano. O fim da paralisação ocorreu quase simultaneamente à decisão de um grupo de produtores agropecuários de deixar a sede de um banco da Província de Entre Ríos, que tinham ocupado 24 horas antes para pedir melhores condições no refinanciamento de suas dívidas.

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