Agricultores dos EUA mantêm cautela com Rodada Doha

Em meio às crescente esperanças de que as negociações sobre o comércio global ainda tenham chances de serem salvas, grupos agrícolas norte-americanos expressaram cautela na sexta-feira, afirmando que não aceitarão um acordo que sacrifique grande parte do apoio estatal em troca da promessa de mais exportações.O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, um dos vários líderes mundiais que participam do Fórum Econômico Mundial, na cidade suíça de Davos, demonstrou esperanças de que os negociadores possam ressuscitar a Rodada Doha de negociações comerciais, que afundou em julho em meio a um impasse na área agrícola. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi mais longe e disse que um acordo é questão de meses. Quão palatável um acordo será para a agricultura norte-americana vai depender "do que vai acontecer com a renda do produtor", disse um lobista agrícola. "Tem de ser um acordo tão bom que as pessoas estejam motivadas a trabalhar por ele", disse o lobista, que pediu anonimato dada a sensibilidade das negociações.Isso significa que grupos agrícolas terão de pesar cuidadosamente a troca de redução de subsídios recebidos pelos produtores - cerca de 20 bilhões de dólares anuais - e potencial redução das tarifas impostas aos seus produtos em outros países.Os agricultores dos EUA, que esperam exportar o recorde de 77 bilhões de dólares no ano fiscal de 2007, apóiam, a princípio, um acordo na rodada de Doha. Mas, "não deve haver mais concessões pelos Estados Unidos (...) até que existam benefícios claros e visíveis no acesso a mercado para os produtos norte-americanos", disse Bob Cummings, representante da Federação de Arroz dos EUA.

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