Agricultores ocupam agência bancária na Argentina

Produtores pedem redução de juros de dívidas; setor está sendo afetado por forte seca.

Marcia Carmo, BBC

23 de fevereiro de 2009 | 23h00

Cerca de 250 produtores rurais ocuparam nesta segunda-feira uma agência bancária na cidade de Hasenkamp, na província argentina de Entre Ríos, para pedir a redução de juros dos empréstimos que possuem e a reprogramação de suas dívidas.Eles argumentam que não têm dinheiro para pagar as parcelas, já que a seca castigou a produção e o setor tem sofrido com a suspensão das exportações, entre outras medidas do governo. "Só vamos sair daqui quando resolverem nossos problemas", disse o líder rural Alfredo de Angeli, da Federação Agrária de Entre Ríos. O protesto, em uma agência do Nuevo Banco de Entre Ríos, começou pela manhã e no fim da noite de segunda-feira já completava mais de onze horas de duração. "Acho que o setor privado ainda não percebeu que estamos em uma situação de emergência. Muitos produtores perderam toda a sua colheita e o banco continua cobrando os empréstimos com taxas de juros altíssimas", afirmou. De Angeli ficou conhecido no ano passado durante o conflito do setor com o governo da presidente Cristina Kirchner. Ele liderou manifestações durante os mais de 100 dias de locaute contra o aumento dos impostos às exportações que geraram desabastecimento, alta do dólar e crise política no governo. Depois de receberem um abaixo-assinado dos manifestantes nesta segunda-feira, diretores do banco pediram tempo para analisar a questão. Mas De Angeli reiterou que a ocupação da agência em Entre Ríos, espécie de capital do carnaval na Argentina, só será concluída quando houver uma resposta concreta.A ocupação ocorre um dia antes de uma reunião da ministra da Produção do governo de Cristina Kirchner, Debora Giorgi, com os representantes dos produtores rurais. O ministro do Interior, Florencio Randazzo, sinalizou que a ocupação da agência bancária poderia dificultar o diálogo. "Querem dinamitar o diálogo agendado entre a Mesa de Enlace (que reúne as entidades rurais) e a ministra da Produção. Essa é uma atitude violenta que não faz sentido e só pretende gerar incertezas na sociedade", disse, segundo a agência oficial Telam. Na última quinta-feira, os produtores rurais (reunidos na Mesa de Enlace) iniciaram a sexta rodada de protestos contra o governo, com a redução da venda de produtos agrícolas. Desta vez, eles não interromperam o trânsito e garantiram que o abastecimento interno não será afetado. No entanto, na sexta-feira, a manifestação que realizaram, no interior da província de Córdoba, reuniu menos agricultores do que esperavam. A disputa entre fazendeiros e governo começou há quase um ano, em março do ano passado.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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