Agricultores pressionam Cristina

O governo de Cristina Kirchner deixou claro ontem, em declarações feitas pelo ministro de Economia, Martín Lousteau, que não vai ceder à pressão dos agricultores que exigem o fim dos aumentos aplicados nas retenções sobre as exportações de produtos agrícolas. ?Não recuaremos?, declarou, categórico, Lousteau. ?Não aceitamos o método de bloquear as estradas por parte dos agricultores.? O ministro, autor da medida, argumenta que os impostos colaboram na política de Cristina para impedir uma disparada dos preços dos alimentos. Pela manhã, irritados com a presidente, os agricultores reforçaram os piquetes em mais de 300 pontos nas estradas, impedindo o trânsito de caminhões com alimentos, medida que está provocando o desabastecimento nas grandes cidades do país. O discurso de Cristina na véspera contra os agricultores teve o efeito - segundo os próprios manifestantes - de ?jogar mais lenha na fogueira?. Ela afirmou que os agricultores não passavam de ?piqueteiros bem de vida?.Segundo o presidente da Sociedade Rural, Luciano Miguens, o governo ?passou dos limites? ao aumentar as retenções de 35% para 45%. Para os agricultores, o governo usa as retenções para manter o superávit fiscal.Enquanto o impasse continua, o desabastecimento de alimentos faz aumentar a irritação da população com o governo. Ontem à noite, nas ruas de Buenos Aires, podia-se ouvir o mesmo som da véspera: os panelaços, que protagonizaram em 2001 a queda de dois governos. Na terça-feira, depois de seis anos, os argentinos retomaram a temida forma de protesto.Os agricultores também impediram ontem o trânsito de ônibus de passageiros e veículos privados. Uma pessoa com problemas cardíacos na Província de Córdoba teria morrido porque a ambulância no qual era transportada ficou retida por um piquete. Temendo bloqueios nas estradas, as empresas de ônibus interurbanos suspenderam a partida de seus veículos.O ministro da Segurança e Justiça, Aníbal Fernández, afirmou que vai garantir o livre trânsito dos caminhões que transportam alimentos. ?Aqueles que não entenderem isso serão presos.? Informações extra-oficiais indicavam que um grupo de governadores havia recomendado a Cristina a demissão de Lousteau, como forma de retomar o diálogo com os agricultores, que exigem a cabeça do ministro. As indústrias de laticínios suspenderam ontem o envio de seus produtos para o comércio. A carne já começa a faltar nas principais cidades do país. Frutas e óleo também já estão ausentes nas gôndolas.Partidários pró e contra Cristina se enfrentaram ontem à noite na Praça de Maio, em Buenos Aires. Novas manifestações de ambos os lados devem ocorrer hoje e amanhã.

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