Agricultores promovem "Último Grito do Campo" em SC

Produtores rurais de Santa Catarina promovem nesta segunda-feira, a partir das 13h30, o "Último Grito do Campo", simultaneamente em cinco municípios: Chapecó, Campos Novos, Rio do Sul, Mafra e Araranguá. O ato é uma resposta à política adotada pelo governo para a agricultura.A maior concentração é esperada em Chapecó, onde os sindicatos rurais e cooperativas agropecuárias do oeste catarinense prometem uma grande manifestação, na praça central da cidade, para mostrar ao governo federal a crise na agricultura. "O quadro é de intolerável queda de renda e empobrecimento geral", afirmou o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina (Faesc), José Zeferino Pedrozo.O protesto, liderado pela Faesc, Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetaesc) e Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Osesc), é contra o que seus organizadores classificam de falta de sensibilidade o governo federal em relação à crise no campo. Eles dizem que, após a grande perda de renda do setor em 2005 e o aprofundamento da crise neste ano, devido aos preços inferiores ao custo de produção para a maioria dos produtos agropecuários, não é possível pagar os financiamentos ainda pendentes da safra passada e parte das dívidas da atual safra.Prejuízos Pedrozo destaca que os prejuízos da agricultura em 2005 e 2006 chegaram aos R$ 30 bilhões de reais e as dívidas do agronegócio são de R$ 50 bilhões de reais. Segundo ele, estão inadimplentes 40% dos produtores, devendo aumentar para mais de 70% no segundo semestre. Para os coordenadores do protesto,Enori Barbieri e Décio Sonaglio, o grande problema é a falta de renda, devido à queda generalizada de preços e de sucessivas secas que deram grande prejuízo aos produtores. Além disse, a política cambial é "um desastre" para a agropecuária e para o setor exportador em geral.Perspectivas sombrias O presidente da Faesc afirma que as perspectivas do setor para o ano que vem são sombrias, "porque os produtores estão reduzindo a área plantada e o País terá uma oferta de alimentos muito menor". Na sua opinião, será preciso importar, a preços altos, com reflexos na inflação. Ele explica que hoje a comida está barata "às custas da insolvência e quebradeira dos produtores". Ao comparar os preços recebidos pelos agricultores em maio de 2004 e maio de 2005, Pedrozo revelou que caíram os preços do milho (37,5%), da soja (53%) e do arroz (50%). Em relação à pecuária, ele afirmou que, de maio de 2005 para maio de 2006, o quilo do suíno passou de R$ 2,07 para R$ 1,50 (-27,5%); o litro de leite caiu de R$ 0,52 para R$ 0,42 (-19%) e o quilo do boi em pé passou de R$ 2 para R$ 1,60 (-20%).

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