Agricultores queimam colheitadeira em protesto no PR

Um grupo de 100 agricultores de Sertanópolis, no Paraná, bloqueia desde o início da manhã desta segunda-feira a BR-323, que liga o norte do estado ao sul de São Paulo, para exigir do governo o refinanciamento de suas dívidas e o respeito ao preço mínimo do milho e da soja - que estão em plena safra, mas tiveram quebra devido à estiagem. Esta é a terceira safra seguida que dá prejuízo aos produtores. Uma antiga colheitadeira foi queimada para simbolizar a descapitalização dos produtores para o pagamento das dívidas. Sertanópolis, de 11 mil habitantes, tem um dos solos mais férteis do País. "Pela primeira vez na vida vou deixar a terra nua porque não tenho dinheiro para plantar", afirmou Lauro Casagrande, agricultor há mais de 20 anos e que disse acumular uma dívida de R$ 180 mil. "Estou desesperado", desabafou Dilmar Castanheiro. A dívida de todos os agricultores do município soma de R$ 23 milhões, calculam os organizadores do protesto. Dirigentes da Organização e Sindicato das Cooperativas do Paraná (Ocepar) pedirão na próxima terça-feira, em Brasília, ao ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que atenda com urgência os produtores rurais. "O preço de venda não cobre o custo da produção", afirma o presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski. As cooperativas do Paraná tiveram no ano passado uma redução de 20% no faturamento. A Ocepar considera urgente a prorrogação das dívidas de custeio das safras 2004-2005 e 2005-2006. Na primeira safra, a perda provocada pela estiagem foi 6 milhões de toneladas no Paraná e na 2005-2006, de 4 milhões de toneladas. AftosaO fim do sacrifício dos animais com aftosa no Paraná, previsto para domingo passado, foi adiado para terça-feira por causa da chuva. Dos 1,7 mil animais da Fazenda Alto Alegre, em Loanda - a última das sete que teve seu rebanho condenado - somente 300 puderam ser abatidos. O reinício do trabalho estava previsto para a tarde desta segunda-feira. Até a interrupção dos trabalhos, haviam sido sacrificados 5.353 dos 6.753 que o Ministério da Agricultura considerou infectados com o vírus da doença, diagnóstico que o governo do Paraná e os pecuaristas contestam. O laudo da necropsia de 21 animais selecionados nas sete propriedades, iniciada nesta segunda-feira, no Centro Pan-Americano de Febre Aftosa, no Rio de Janeiro, será divulgado somente dentro de 90 dias.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.