mercado

Neon compra Magliano, a primeira corretora registrada na bolsa de valores do Brasil

Agricultura de 'precisão' ganha espaço no País

Técnica, usada principalmente por produtores mais jovens, consiste em mapear cada ponto do terreno para aumentar a produtividade

Anna Carolina Papp, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2014 | 02h02

Vital para o aumento de produtividade, redução de custos e impactos ambientais no agronegócio, a "agricultura de precisão" é utilizada hoje por pouco mais da metade (53%) dos produtores no País. Segundo pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), a técnica, que consiste na aplicação direcionada de insumos levando em conta as diferenças em cada ponto da lavoura, é utilizada por produtores jovens, mais instruídos, adeptos à tecnologia e que cultivam grandes extensões de terra.

Para o estudo, elaborado a partir de uma série de seminários sobre o tema realizada pelo Senar entre setembro e novembro de 2012, foram entrevistados 301 produtores de polos agrícolas em nove Estados: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Maranhão, Bahia, Piauí, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

"A agricultura de precisão é associada a grandes máquinas, mas não é só isso. A técnica consiste em entender a variabilidade espacial do campo", diz o professor Ricardo Inamasu, do Embrapa, um dos coordenadores do estudo. "A função da técnica é, com o mapeamento do solo, tirar o melhor proveito dessa variabilidade, aplicando insumos de acordo com a necessidade de cada ponto", diz. Já o sistema convencional, explica ele, trata a lavoura de maneira uniforme, o que leva a desperdícios e potencializa o impacto ambiental.

Perfil. A idade média dos que utilizam a agricultura de precisão é de 35,5 anos, ante 39,3 anos na agricultura tradicional. Os adeptos da técnica também possuem grau mais alto de escolaridade - 43,1% com ensino superior e 18,8% com pós-graduação - e maior renda - 38% ganham acima de dez salários mínimos. Já a maioria dos produtores no sistema convencional (34%) tem renda entre cinco e dez salários mínimos.

De acordo com o estudo, as maiores escalas de produção tendem a favorecer a adoção de tecnologias de agricultura de precisão. O uso da técnica, portanto, é mais frequente nas culturas de soja e milho (82%).

A maioria dos adeptos realiza amostragem "espacializada" do solo (72%) para mapeamento da lavoura, sendo que em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais esse valor está acima de 80%. A agricultura de precisão é utilizada sobretudo na aplicação de corretivos de solo e adubação. "Hoje, muitos produtores adubam a área toda da mesma forma, e aí um lado talvez produza mais do que o outro", afirma Patrícia Machado, coordenadora de projetos e programas especiais do Senar. "Com uma simples análise de solo, o agricultor já economiza em termos de quantidade de produtos e de custos."

Apesar de a adoção de agricultura de precisão nos diversos setores do agronegócio brasileiro estar em descompasso com o ritmo de expansão da produção, a percepção dos entrevistados é otimista em relação à popularização das técnicas. Para 84% dos que hoje adotam o sistema convencional, a agricultura de precisão será em breve uma realidade em sua região - para 47,5% deles, ainda nos próximos cinco anos.

"Hoje, o custo para monitoramento e maquinário é um grande entrave, mas também há muita falta de conhecimento. A academia precisa auxiliar um pouco mais na disseminação de informação sobre o assunto, pois essa gestão pode trazer um ganho de produtividade muito grande ao produtor, além de redução de custos e impacto ambiental", afirma. Dentre os usuários da agricultura de precisão, 93,8% afirmaram ter tido ganho de produtividade.

Para Flávio Faedo, produtor de soja, milho e feijão em Rio Verde, Goiás, o investimento em mapeamento via satélite e em equipamentos que fazem a distribuição direcionada de insumos valeu a pena. "Gasto R$ 30 por hectare para fazer o mapeamento do solo, e investi R$ 50 mil para comprar os monitores e bombas de óleo para a as máquinas. Mas vale, porque a produtividade cresce a cada ano, já aumentou 20%", diz o agricultor de 54 anos, formado em administração rural. "Só colocamos o que o solo precisa e onde precisa."

Tudo o que sabemos sobre:
foruns estadao brasil 2018

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.