Agricultura e indústria sofrem com paralisação de caminhoneiros

Avicultura, indústrias de rações e de laticínios são os principais setores a admitir que a greve dos caminhoneiros trouxe prejuízos  

Elder Ogliari, Tássia Kastner e Julio Cesar Lima, da Agência Estado,

31 de julho de 2012 | 21h07

Os sete dias de paralisação dos caminhoneiros afetaram o transporte de bens industriais e produtos agrícolas. Segundo a União Brasileira de Avicultura (Ubabef), o abastecimento de ração para criação de frangos e o transporte de animais vivos, por exemplo, foram prejudicados. "Empresas associadas relataram problemas com o abastecimento de ração para a criação de frangos, com a retenção de centenas de caminhões devido aos bloqueios", afirma a Ubabef em nota.

No Rio Grande do Sul, a greve também afetou cadeias produtivas de alimentos. A Associação Gaúcha de Laticinistas e Laticínios (AGL) estimou que os produtores podem ter perdido até R$ 5,6 milhões por falta de escoamento de 7 milhões de litros de leite nos últimos dias. Na Ceasa de Porto Alegre ainda não havia desabastecimento, mas os primeiros atrasos, sobretudo de cargas vindas de outros Estados, como as de tomate, abacaxi e manga, começaram a ser percebidos.

No Espírito Santo, o protesto chegou a afetar o abastecimento nos supermercados e os produtos ficaram mais caros. Em um estabelecimento de Vitória, a batata, por exemplo, que vem de Minas Gerais, passou de R$ 1,69 para R$ 1,99. Em outro supermercado, também na capital, ainda não havia falta de mercadorias. Entretanto, os estoques estavam chegando ao fim.

Segundo o gerente de logística de um supermercado de Vitória, Clebesmar Viana, desde o início da paralisação, o número de caminhões que abastecem o estabelecimento caiu quase que pela metade. "No primeiro dia de protesto, a previsão era de 40 caminhões abastecendo a nossa rede, mas apenas 25 chegaram", afirmou.

O protesto de caminhoneiros, iniciado na semana passada, é contra a nova regra do governo, que exige intervalo de descanso mínimo de 11 horas a cada 24 horas. Segundo o setor, há poucas áreas de descanso nas principais rodovias do País, o que inviabiliza o cumprimento da regra. Além disso, a medida também reduzirá o rendimento dos caminhoneiros. Na pauta de reivindicação, eles defendem o adiamento da lei.

"O impacto é para todo mundo (setores da indústria)... mas ainda é coisa pequena", disse o presidente da União Nacional dos Caminhoneiros, José Araújo China da Silva, após reunião com o ministro dos Transportes, Paulo Passos. Segundo ele, as regiões mais afetadas pelos bloqueios estão no Espírito Santo e Rio de Janeiro.

Caminhoneiros que tentavam furar o bloqueio eram ameaçados e alguns veículos foram até apedrejados.

Paralisações desse tipo foram realizadas também em outras estradas de São Paulo e no Sul do País. "Neste momento (ontem à tarde), os que estão parados nas rodovias e nas suas garagens chegam a 75%", disse o presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiro, Nélio Botelho, antes de encontro com o ministro.

Bloqueios. Ontem, ao longo do dia, manifestantes contrários ao texto da regulamentação da profissão de caminhoneiro protestaram à margem ou bloquearam rodovias em todo o Rio Grande do Sul. Um levantamento da Polícia Rodoviária Federal indicava que pelo menos 21 trechos de rodovias haviam sido interditados parcial e temporariamente pelos manifestantes.

Em São Sepé e Pelotas houve queima de pneus sobre as rodovias durante a madrugada. Em diversos outros pontos, houve abordagem e panfletagem e, em alguns deles, condutores que tentaram seguir viagem tiveram seus veículos apedrejados.

A maior manifestação ocorreu na BR-101 em Três Cachoeiras, cidade próxima da divisa com Santa Catarina. Motoristas forçaram os colegas a parar em uma das faixas da rodovia duplicada durante quase toda a manhã, formando uma fila de dez quilômetros de caminhões em cada sentido. Os demais veículos trafegaram livremente pelas outras faixas. A rodovia foi totalmente liberada no final da manhã.

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