''Agricultura é que preocupa mais''

Rubens Ricupero: ex-embaixador do Brasil em Washington; Para ex-embaixador, plano deve ter efeito positivo sobre à economia, mas Brasil deve se preocupar com subsídios agrícolas

Entrevista com

Paula Pacheco, O Estadao de S.Paulo

11 de fevereiro de 2009 | 00h00

Ex-embaixador do Brasil em Washington, o diretor da Faculdade de Economia da Faap, Rubens Ricupero, acredita que, por ora, não há motivos para preocupação com o pacote americano. Se o efeito for positivo, diz, será um alívio para todas as economias. O ex-embaixador alerta, porém, para outro tipo de ameaça, o protecionismo no agronegócio.A aprovação do pacote americano é uma vantagem ou uma desvantagem para o Brasil?De maneira geral, o efeito deve ser positivo. O objetivo é levantar a economia americana, o que é interessante para todo o mundo. O benefício é não só comercial, mas financeiro. Por enquanto, é preciso esperar pelo texto final que será aprovado pelo presidente Obama. Pelo que vi até agora, não existe um perfil protecionista no novo presidente. O que vejo é um sinal amarelo, ou seja, podem vir problemas pela frente. Para exorcizar, é bom que se faça um certo barulho.O que deve preocupar o Brasil?A China preocupa a todos com a decisão de reduzir os impostos de mais de 5 mil produtos. Mas há a ameaça do protecionismo no agronegócio. São subsídios e proteções legais, dentro dos limites estabelecidos com a Organização do Comércio (OMC), mas podem dificultar a vida dos produtores brasileiros.A União Europeia aumentou de US$ 11 bilhões para US$ 16 bilhões os subsídios para os produtores de manteiga, creme de leite e leite em pó. O Brasil não é afetado diretamente porque não é grande exportador, mas quem exporta para a Europa, como a Nova Zelândia, pode escoar a produção para o Brasil e pressionar os preços locais para baixo.

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