Felipe Rau/Estadão
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Agricultura vive ‘dilúvio’ de informações

Especialistas são unânimes com relação à importância da tecnologia no setor, mas dizem que é preciso selecionar as de uso prático

Camila Turtelli, Leticia Pakulski e Nayara Figueiredo, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2017 | 05h00

O chefe-geral da Embrapa Monitoramento por Satélite, Evaristo Eduardo de Miranda, de Campinas (SP), afirmou que o mundo vive um “dilúvio” de informações na agricultura e que o desafio, agora, é selecionar os dados mais relevantes e que possam de fato colaborar com avanços e ganhos de produtividade. “O grande desafio é captar dados importantes e produzir tecnologia com resultado”, disse Miranda, na terça-feira, na abertura do painel “Agrotech: tecnologia e resultados”, no Summit Agronegócio 2017, realizado em São Paulo. “Precisamos da capacidade de analisar informação na área rural e oferecer soluções.”

Citando dados apresentados na abertura do evento pelo ministro em exercício da Agricultura, Eumar Novacki, de que 66,3% das áreas do País são de cobertura verde, Miranda enfatizou o fato de agricultores e pecuaristas colaborarem para a sustentabilidade do País. “A agricultura brasileira tem essa particularidade, usa metade da área, a outra, preserva”, disse.

Sobre o uso de tecnologia no setor, Miranda afirmou que sistemas autônomos estão chegando à agricultura e que a indústria de máquinas “ganha muito dinheiro com informação da internet das coisas”.

O diretor de Tecnologia da Informação da Raízen, Fábio Mota, um dos palestrantes, acredita que, no ramo de commodities, as empresas sempre trabalham com margens baixas e, por isso, “não podem esbanjar dinheiro” e investir em inovações que não tenham resultados práticos.

Estratégia de inovação. De olho nesse cenário, as startups são um caminho mais seguro para se investir em inovação já com resultados comprovados, acredita Mota. “Inauguramos um espaço para hospedar startups com negócios que possam ajudar a empresa direta e indiretamente”, disse, sobre projeto da Raízen. Ele afirmou que sua equipe passou por período longo de conversas para que acionistas do grupo concordassem que o trabalho feito com startups faz parte da estratégia de inovação de empresas.

O presidente da Hughes Brasil, empresa de fornecimento de serviços de rede e tecnologia de comunicação via satélite, Rafael Guimarães, disse que ainda não existe tecnologia para levar conectividade a determinadas regiões do Brasil, mesmo que exista renda para isso. “Enxergamos conectividade como ferramenta para ligar produtor com indústria, sindicatos e associações.” Para Guimarães, a conectividade aumenta a qualidade de vida do produtor, com acesso à informação, comunicação e entretenimento.

O presidente da Strider, Luiz Tângari, enxerga nas startups, atualmente, a forma “mais eficaz de transformar mercados rapidamente”. “Produtores são ótimos experimentadores, mas para eles adotarem tecnologia precisam ver utilidade”, assinalou.

Para Tângari, esses “berçários” de empresas são capazes de pegar tecnologias sofisticadas e transformar em produtos que possam ter utilização prática. “Não adianta pintar mapa colorido se a pessoa não souber usar dados”, disse. A empresa de Tângari desenvolve inovações tecnológicas para o mercado agrícola.

O executivo ressaltou, no entanto, que as startups não substituem órgãos de pesquisa. “É preciso que a Embrapa desenvolva ciência. São coisas diferentes e não competem. Cada um tem o seu papel”, disse.

Biotecnologia. O chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Boechat Morandi, destacou que as startups mudaram o mercado de biopesticidas do País e que a sustentabilidade intensifica uma tendência de avanço da biotecnologia. Morandi ressaltou que o respeito ao meio ambiente cria oportunidades de crescimento econômico e eficiência produtiva, citando certificações de origem, geográfica, de produto e rotulagem ambiental. “Sustentabilidade é um fato consumado; não dá para escapar dela”, destacou.

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