JOEL SILVA/FOTOARENA PAGOS
JOEL SILVA/FOTOARENA PAGOS

Agrishow começa com altas expectativas, mesmo sem o novo Plano Safra

Após suspensão por conta da pandemia, evento reabre com presença de Bolsonaro e expectativa de público recorde

Augusto Decker, enviado especial a Ribeirão Preto, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2022 | 18h24

Depois de um hiato de dois anos por causa da pandemia de covid-19, a Agrishow, principal evento de agronegócio do País, retomou a edição presencial nesta segunda-feira, 25, com presença do presidente Jair Bolsonaro e expectativas de recordes de circulação de público e de negócios. No primeiro dia, porém, a expectativa do setor sobre o Plano Safra 2022/2023, que garante juros subsidiados ao agronegócio, ajudando a movimentar ainda mais o segmento, não foi satisfeita.

O bom momento das empresas do agronegócio, por causa da alta dos preços das commodities, amplia a expectativa para a Agrishow. O setor de máquinas agrícolas é um dos que vêm crescendo nos últimos anos. “Em 2020, as vendas de máquinas cresceram 17% e, em 2021, 42%, já descontada a inflação do setor no período, que foi maior do que a do IPCA (índice oficial de inflação)”, lembra Pedro Estevão Bastos de Oliveira, presidente da Abimaq, entidade que reúne as montadoras de máquinas agrícolas. “E para este ano esperamos crescimento de mais 5%, em cima de uma base que já aumentou muito.” 

Presidente da Agrishow, Francisco Matturro afirma que a expectativa é positiva apesar do aumento dos preços dos maquinários – reflexo da suspensão de linhas do Plano Safra 2020/2021 – e da Selic (taxa básica de juros) mais alta. “Hoje existem outras fontes de crédito. Os bancos cooperativos avançam muito. Esperamos que não haja problema de recursos e que o próximo Plano Safra traga recursos em quantidade suficiente para pequenos e médios produtores.”

Apesar do otimismo, o novo Plano Safra, que garante taxas de juros subsidiadas para o setor, ainda não saiu do papel. O presidente Bolsonaro e o ministro da Agricultura, Marcos Montes, não anunciaram novidades para os subsídios relacionados ao próximo ciclo. No sábado, o BNDES suspendeu novas operações de financiamento do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf Custeio), única linha do Plano Safra 2021/22 que ainda estava com crédito liberado no banco. 

Durante o evento, o presidente se ateve mais a temas políticos, como o indulto que concedeu ao deputado Daniel Silveira (PTB-RJ), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). “O artigo 53 da Constituição não garante que os deputados podem falar o que bem entender? É inviolável?”, disse o presidente, durante o evento, em Ribeirão Preto.

Mais espera

Na visão do diretor de agronegócio do Santander, Carlos Aguiar, os detalhes do Plano Safra 2022/23 podem ser conhecidos apenas no fim de junho. “Se não fosse pela greve dos entes públicos, deveria ser no fim de maio”, disse.

Ele ressaltou, porém, que a linha não tem grande efeito no planejamento do banco porque os recursos subsidiados representam R$ 6 bilhões de uma carteira de R$ 30 bilhões. “Nosso diferencial é o atendimento, e não atender um monte de gente com dinheiro público. O diferencial é o entendimento do produtor.”

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