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Agroindústria tem semana de más notícias no sul

A semana foi de más notícias para a agroindústria no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Depois que o frigorífico Chapecó deu férias coletivas na unidade de suínos em Santa Rosa (RS) na segunda-feira, a Companhia Minuano de Alimentos decidiu nesta quarta-feira paralisar o abate de frangos em Passo Fundo (RS). Em Santa Catarina, a crise da suinocultura levou o prefeito de Seara (SC), Flávio Ragagnin, a decretar situação de emergência no início da semana. Ao lado das dificuldades, a escassez e o alto custo do milho são fatores comuns às indústrias em dificuldades.Além dos produtores de suínos e aves, a falta de milho preocupa os criadores de bovinos de leite, disse o presidente da Comissão de Grãos da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Jorge Rodrigues. "Temos necessidade de importar milho", disse o dirigente.MercosulA possibilidade de redução da Tarifa Externa Comum (TEC) de 9,5% para 2% nas compras de milho de países que não integram o Mercosul, com o propõe o Ministério da Agricultura, não resolveria o problema, pois o frete ainda tornaria caro o produto, afirmou Rodrigues.Uma alternativa seria liberar a utilização de milho transgênico nas rações, permitindo a importação do produto da Argentina, onde o custo de transporte é menor, sugeriu o dirigente. O uso do produto geneticamente modificado foi impedido por decisão liminar.FrangoA decisão da Minuano de paralisar o abate de frangos foi conseqüência do quadro de crise no setor e alta exagerada do preço dos insumos, pressionados pela valorização do milho e farelo de soja e pela desvalorização do real, disse o diretor administrativo e financeiro da empresa, Décio Schnack.A unidade irá dispensar quase 100 dos 120 funcionários, disse o diretor, mas a meta da Minuano é manter a atividade econômica e os empregos. O grupo preservará 1.100 de 1.350 postos de trabalho distribuídos na fábrica de Lajeado, que opera como prestadora de serviços de abate para a Avipal, na unidade de embutidos de Arroio do Meio (RS) e no incubatório de Estrela (RS).A retomada da operação em Passo Fundo depende da formação de uma parceria, disse Schnack. A mesma solução foi adotada em Lajeado, onde a planta da Minuano opera como prestadora de serviços para a Avipal.Além disso, o acordo entre os dois frigoríficos prevê que a Minuano irá fornecer 750 mil pintos por semana aos produtores integrados da Avipal. "Os negócios são lentos, mas estamos trabalhando para encontrar soluções", disse.FériasCom dificuldades de capital de giro, a Chapecó confirmou a adoção de férias coletivas, mas não divulgou oficialmente o tempo de duração.Os trabalhadores da indústria informam que o período irá inicialmente até 11 de dezembro, mas consideram provável a prorrogação até 6 de janeiro. Enquanto isso, uma comitiva formada na região começou a discutir alternativas com a direção do frigorífico e instituições de crédito. EmergênciaJá a prefeitura de Seara resolveu decretar situação de emergência para chamar a atenção das autoridades para o problema do município, que tem 16,4 mil habitantes e atribui 80% do movimento econômico anual de R$ 200 milhões à criação de suínos. "Não há dinheiro girando na cidade", disse Jacob Biondo, que é suinocultor de médio porte, diretor da Câmara de Dirigentes Lojistas e comerciante.O preço do milho, principal componente da ração, passou o patamar histórico de R$ 14,00 por saca e chegou a R$ 29,00. "A cada animal de 100 quilos entregue, o prejuízo fica próximo dos R$ 50,00", disse Biondo. De um total de 1.300 famílias que vivem da agricultura em Seara, cerca de mil dependem da suinocultura."Nas atuais condições, elas entregam os suínos aos frigoríficos, retiram o crédito em insumos e, como ainda ficam devendo, não podem sacar dinheiro" disse o secretário municipal da Agricultura, Neudi Trevisol. Sem dinheiro, os suinocultores deixam de comprar no comércio. "O movimento caiu de 35% a 40%", afirmou Biondo. "E a inadimplência já passa de 50%".IntegraçãoOs suinocultores do município trabalham no sistema de integração e são vinculados às agroindústrias Seara Alimentos, Sadia, em Concórdia, e Chapecó, em Chapecó, todas num raio de 40 quilômetros de distância. A produção local de milho representa 25% da demanda.O secretário espera que o decreto de emergência sensibilize autoridades e frigoríficos para a necessidade de aumentar a oferta, reduzir o preço dos insumos e reajustar a cotação dos suínos. "Se nada mudar nos próximos dias, os produtores vão se desfazer dos plantéis em um ou dois meses", previu.

Agencia Estado,

13 de novembro de 2002 | 20h11

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