Dida Sampaio/Estadão - 3/7/2020
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Vou brigar até o fim contra corte no Orçamento, diz ministra da Agricultura

Tereza Cristina, que participou de série sobre os desafios da economia em meio à pandemia, disse que a redução de gastos pedida pelo governo pode comprometer o funcionamento da pasta

O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2020 | 12h18
Atualizado 17 de setembro de 2020 | 14h44

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou nesta quinta-feira, 17, que vai brigar até o último momento contra os cortes no Orçamento de sua pasta para este ano. A redução de gastos em vários ministérios é a forma encontrada pelo governo para engordar o caixa dos ministérios da Infraestrutura e do Desenvolvimento Regional, que seriam os responsáveis pelo Pró-Brasil, o plano federal de investimentos em infraestrutura. No caso da Agricultura, o pedido é de um corte de R$ 250 milhões.

“Não estou feliz com isso”, disse Tereza Cristina, que participou nessa quinta-feira, 17, do Estadão Live Talks, evento realizado pelo Estadão em parceria com a Tendências Consultoria Integrada. “Não é justo tirar dinheiro da Agricultura.” Segundo ela, com isso, a Embrapa poderia ficar sem recursos. A pesquisa e a regularização fundiária, que são prioridades no governo, também seriam prejudicadas. “Estamos discutindo com o governo, e também levamos a questão para deputados e senadores”, disse. “Vamos brigar até o último momento. Eu sou pequenininha, sou quietinha, mas eu brigo duro.”

A live foi a segunda de uma série de debates dedicados a compreender e identificar as alternativas para o Brasil reaquecer a sua economia, após os estragos provocados pela pandemia do novo coronavírus. Tereza Cristina respondeu perguntas da diretora-presidente da Tendências, Elizabeth Farina, e da jornalista e colunista do Estadão Eliane Cantanhêde.

Arroz

Questionada sobre a disparada dos preços de alguns itens de cesta básica nas gôndolas dos supermercados, em especial do arroz, Tereza Cristina avisou que, apesar dos esforços do governo em negociar com produtores e zerar tarifas de importação até dezembro, o atual patamar de preços só deve baixar mesmo a partir de 15 de janeiro, quando entrar a safra brasileira. "E tudo indica que será uma safra muito boa, pelo que estamos vendo. Teve aumento de área e deve ter de produtividade", afirmou.

A  ministra descartou que o governo vá intervir de forma a segurar artificialmente os preços no mercado para favorecer o consumidor. Segundo ela, o movimento de alta nos insumos deve-se a um aumento do consumo na pandemia, aliado às exportações e aos baixos estoques atuais. 

Segundo ela, o que o governo pode e tem feito  foi ampliar o acesso ao produto produzido no exterior, zerando a tarifa de importação de fora do Mercosul, o que ela destaca ser o suficiente para garantir o abastecimento interno. "Retirar a tarifa de importação é uma reserva técnica que o governo tem", destacou. "Intervenção sobre preços é muito ruim. Sou absolutamente contra. Já vimos isso e nunca funcionou. Ao contrário, o preço acaba subindo."

Questão ambiental

Um dia após se reunir com o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, para discutir medidas do governo para coibir o desmatamento na Amazônia, a ministra da Agricultura  disse que o meio ambiente e o agronegócio precisam caminhar juntos no Brasil. "O agronegócio bom é o que preserva", disse.

Questionada sobre a cobrança de empresas, organizações e investidores para que o governo intensifique sua atuação em torno da pauta ambiental, a ministra afirmou que, do ponto de vista da iniciativa privada, "o produtor sabe que conservação é fundamental para o seu negócio".  Já do ponto de vista do governo, reiterou que o País já dispõe de uma legislação ambiental eficiente. 

"O País tem bons exemplos, como o Código Florestal, que trouxe bom senso e equilíbrio", afirmou. "Temos de ter a obrigação de cumprir a lei, isso é fundamental para o agronegócio." Com relação aos "malfeitos" na área, referindo-se aos casos de desmatamento, ela afirmou que é preciso corrigir isso. 

Como revelou reportagem do Estadão, na terça-feira 15, 230 organizações e empresas ligadas às áreas do meio ambiente e do agronegócio enviaram ao governo federal um conjunto de propostas para deter o desmatamento na Amazônia. O documento foi encaminhado ao presidente Jair Bolsonaro e ao vice-presidente Hamilton Mourão, além dos ministérios da Agricultura, Meio Ambiente, Economia e Ciência e Tecnologia. As propostas chegaram ainda às mãos de líderes e parlamentares da Câmara e do Senado, ao parlamento europeu e embaixadas de países europeus.

Sobre o esforço conjunto de empresas e setores organizados, Tereza Cristina afirmou "ficar feliz" de ver essa convergência entre agronegócio e ambientalistas. "Mas essa convergência tem de ser real", destacou.

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