Agronegócio precisa de câmbio 'no lugar certo' e investimentos, diz Campos

Campos afirmou ainda que a conciliação entre a sustentabilidade e a produçâo agrícola é uma pauta "consensuada"

MARIA CAROLINA MARCELLO, REUTERS

06 de agosto de 2014 | 12h54

O candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, defendeu nesta quarta-feira uma nova governança macroeconômica, investimentos em produtividade e a busca de mercados no exterior como formas de impulsionar o setor agropecuário brasileiro.

Em evento organizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) com os três principais candidatos à Presidência, Campos afirmou ainda que a conciliação entre a sustentabilidade e a produçâo agrícola é uma pauta "consensuada" e que já não é possível qualquer atividade econômica ocorrer sem a observância de valores ambientais e sociais.

"É fundamental... uma governança macroeconômica que coloque o câmbio no lugar certo para que as exportações não percam", disse o candidato a jornalistas após debate com representantes do setor.

"É fundamental o investimento na produtividade, e isso passa por infraestrutura, mas também passa por investimentos em ciência e tecnologia, educação", afirmou, acrescentando que o país também precisa buscar novos mercados com uma "política muito mais ativa" do que a atual.

Durante sua exposição para convidados da CNA, Campos prometeu fortalecer o Ministério da Agricultura e disse ser necessária uma melhor articulação entre as políticas de renda para o setor agropecuário.

"Quero assumir o compromisso também de fortalecer o Ministério da Agricultura. É tirá-lo do balcão político e das lideranças e colocá-lo na mão da competência de quem possa efetivamente inspirar um diálogo", disse Campos, em evento organizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) com os três principais candidatos à Presidência.

O candidato aproveitou para criticar a prática de indicações políticas para cargos do Executivo Federal, incluindo aí a pasta da Agricultura.

Ao colocar suas posições, Campos, terceiro colocado nas pesquisas, defendeu ainda a necessidade de coordenar melhor as políticas federais para o setor.

"É fundamental articular o crédito, o seguro e o preço mínimo", afirmou o presidenciável, acrescentando que o seguro atual é mais focado na proteção para catástrofes, deixando de lado a proteção da renda de produtores. "A política do preço mínimo deve ser institucionalizada."

Campos disse ainda que é preciso uma maior diversificação do modal de infraestrutura brasileira para melhorar a produtividade e a competitividade dos negócios no país.

Ao ser questionado sobre uma possível revisão do Código Florestal, lei que causou grandes embates entre as bancadas ruralista e ambiental no Congresso, Campos preferiu focar sua resposta na necessidade de implementação total de um cadastro previsto por essa legislação de todas as propriedades rurais do país.

O Cadastro Ambiental Rural (CAR), previsto no código, poderá fornecer, fornecer os dados necessários para a elaboração de políticas públicas estratégicas, disse Campos, que tem a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva como companheira de chapa.

O candidato defendeu ainda que seja feito um ordenamento territorial brasileiro para retomar as demarcações de terras indígenas, de unidades de conservação e ainda de assentamentos para a Reforma Agrária, sem poupar críticas as ações tomadas pelo atual governo da presidente Dilma Rousseff nessas áreas.

No campo econômico, o candidato afirmou ser fundamental uma "governança responsável, com visão de longo prazo". Para ele, é preciso a adoção do tripé macroeconômico --câmbio flutuante, meta de inflação e superávit primário-- como "verdade", sem o que chamou de " contabilidade criativa".

(Reportagem adicional de Jeferson Ribeiro e Nestor Rabello)

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